Arquivo de outubro de 2015

Aprendendo sempre, com eles também!

Postado por admin em 09/out/2015 - Sem Comentários

Fisio 125

 

Uma das principais coisas que penso todos os dias que atendo clientes idosos é que somente através de um estilo de vida saudável podemos viver com leveza o fim da vida, independente de quantos anos esse período dure (nunca sabemos quanto será!).

Viver de forma saudável sem dúvida envolve cuidar do corpo, nossa primeira casa; mas também envolve duas outras coisas que também considero importante: dinheiro e desenvolvimento espiritual. Vamos a cada uma delas com os detalhes mais relevantes:

  • Cuidar do Corpo: mesmo com todo avanço da medicina, algumas peças do corpo ainda não são substituíveis; e mesmo que fossem, a reposição de cada uma envolve sempre uma cirurgia com todos os seus riscos de anestesia, embolia e outras complicações. Assim, uma boa alimentação durante a vida e uma atividade física regular (pelo menos 3 vezes por semana) são as únicas formas de estender o prazo de validade das articulações, ossos e coração, além de garantir músculos flexíveis e fortes, boa coordenação motora e equilíbrio. É exatamente aqui que a fisioterapia entra.
  • Dinheiro: no Brasil, ter acesso a equipe e tratamento médico de qualidade infelizmente ainda depende de poder pagar um bom (e caro) plano de saúde e, como o idoso tem menos reservas energéticas para ficar na triste fila do SUS ou de hospital ruim, isso faz diferença sim! Além disso, é praticamente uma questão de saúde mental (do idoso e sua família) poder contar com um bom pronto-socorro para checar uma tosse persistente, assim como poder acompanhar (de forma decente para poder ser constante) um idoso hospitalizado inclusive para diminuir o preocupante impacto que ele sofre por estar longe de casa (desorientação é extremamente insalubre).
  • Desenvolvimento espiritual: não necessariamente associado à qualquer tipo de religião, mas sim àquela força que nos ajuda todos os dias a seguir em frente, superar obstáculos, rever e mudar estratégias, aceitar bem o que não podemos mudar… essas são as chaves de uma vida saudável sempre, mas isso faz ainda mais diferença com o passar dos anos, quando invariavelmente, perdemos aos poucos a nossa independência.

 

Todas estas coisas funcionando juntas formam um ciclo vicioso onde uma colabora para o bom funcionamento da outra, garantindo a preciosa conservação de energia necessária, já que a bateria costuma ter menos autonomia com o passar dos anos. Com tudo isso equacionado, é possível ser uma pessoa flexível que, por sua vez, é importante para viver uma vida mais leve. Viver com leveza torna a pessoa mais agradável, o que é também uma estratégia de sobrevivência para o idoso. Sem contar que o corpo também se beneficia com menos travas, menos limitações.

Da mesma forma, esta equação colabora para o equilíbrio, necessário não apenas para caminhar nas calçadas tortas (e poder manter algumas atividade sociais fora de casa), mas também para manter a fé na vida e seguir em frente após perder entes queridos ou ver um filho sofrer com desemprego, doença, dificuldade financeira, enfim, coisas da vida… também colabora com a coordenação de movimentos e pensamentos, permitindo que o idoso acompanhe mais facilmente todos os bons avanços da tecnologia (imagina poder conversar com eles todos os dias sem precisar necessariamente sair de casa, usando Skype?!) e da modernidade.

Resumindo: atender pessoas idosas me faz querer ser melhor e repensar todos os dias o meu estilo de vida e o que estou plantando hoje. Acompanhá-los é meu grande despertador!! Sou grata a cada um deles!!

 

Atendimento de Idosos

Postado por admin em 09/out/2015 - Sem Comentários

Hoje consideramos idosas as pessoas acima de 60 anos… é pouco atualmente (já estão até pensando alterar para 65), mas mesmo que fosse mais (70 ou 80, já com algumas capacidades alteradas) a idade do idoso é algo que se alcança naturalmente, um dia após o outro, apenas vivendo, ou melhor, continuando a viver… Assim, embora tenhamos esta classificação, não temos uma separação de verdade: nada muda drasticamente no aniversário daquele ano, tudo simplesmente continua mudando… Por isso sempre achei natural atender pacientes idosos e nunca achei que a geriatria tem um olhar muito diferente para o paciente do que o que temos na ortopedia, especialidade que elegi como minha principal no início da carreira.

Em ambas as áreas, devemos levar em consideração as necessidades específicas de cada um, bem como seus DESEJOS particulares… Isso é algo que não muda (nunca, na minha opinião), mas é exatamente este o ponto que gera as maiores confusões, principalmente quando o idoso já passou dos 80 anos… Isso ocorre porque todos que continuam vivendo, naturalmente continuam tendo desejos e uma forma particular de fazer as coisas! O problema é que devido a perda de habilidades comuns à idade, os idosos passam a precisar da ajuda de outras pessoas para honrarem seus desejos e preferências. Aí fica mais difícil… bem mais! Tudo fica mais cansativo para os envolvidos nos cuidados do idoso. Mas para ele também!

Pode parecer que não, mas ele também se incomoda com o par de anos que lhes roubou um tanto de flexibilidade, agilidade, acuidade visual e auditiva… é ruim para a gente que precisa falar alto (às vezes dói a garganta!), mas imagine para eles, que precisam pedir o tempo todo para que repitam o que foi falado…

Aos poucos, a maioria deles desiste  até de tentar juntar os pontinhos entre as palavras que escutaram e aquelas que perderam e vão caminhando para um mundo a parte, só deles, isolado e cheio de limitações progressivas cada vez maiores que contribuem para o adoecimento e morte precoce e/ou sofrida…

Para mim, é muitas vezes aqui que a fisioterapia faz diferença: geralmente não aumentamos muito a força muscular, mas melhoramos o suficiente para garantir uma caminhada mais segura; não proporcionamos o alongamento de uma bailarina, mas garantimos menor gasto energético nas atividades rotineiras; não ensinamos malabarismo, mas garantimos mais agilidade e coordenação motora até para um banho mais curto, com menos risco de queda; não usamos aparelhos importados ou outros recursos mirabolantes (tudo é muito simples mesmo!), mas proporcionamos um olhar atento àquele ser humano que simplesmente continua precisando ser olhado e respeitado… não ensinamos como resolver todos os problemas, mas ensinamos estratégias de segurança em casa, que com o tempo, passou a ser uma armadilha sem fim… às vezes nem conseguimos acabar com a dor (das articulações, das pernas, das mãos…), mas dizemos para eles que acreditamos que está difícil e tentamos adaptar, criar alternativas mais cômodas…

Consequentemente, é a partir do trabalho da fisioterapia que muitas vezes o idoso volta a caminhar ou mesmo a sentar e receber visitas… muitas vezes é a partir do olhar compassivo do profissional que a família entende o idoso em seu novo papel e refaz seus laços, renovando a dose diária de paciência… muitas vezes é a partir daí que o idoso passa a aceitar e conviver melhor com suas limitações progressivas… e é a partir daí que ele descobre um jeito bacana de viver com 80 ou 90 anos, sem focar apenas no peso do fim da vida à espreita ou na saudade dos parentes e amigos que já partiram…

Por essas e por outras, mesmo sendo um trabalho delicado que envolve muito papo com a família e os cuidadores, adoro ajudar velhinhos a se auto-conhecerem! E adoro a oportunidade de aprender com eles (pelos erros e pelos acertos) como me preparar para viver esta idade, me atendo ao essencial já hoje!

Já aprendi muita coisa com este trabalho! Vamos falar mais sobre isso?

 

Fisio 124