Arquivo de julho de 2016

Relato de Parto da Luiza

Postado por admin em 25/jul/2016 - Sem Comentários

“Hoje estava sozinha amamentando a Esther, que fechava o olhinho ao mamar enquanto eu escutava uma seleção de mantras tocando ao fundo bem baixo… Mantras da cantora Snatam Kaur, que ouvia nas aulas de yoga… A yoga que pratiquei durante a gestação a fim de me preparar emocional e espiritualmente para o parto…

Emocionada nas lembranças, me transportei pelo tempo… Voltei na madrugada do dia 11 de dezembro, quando, sozinha, por volta da 1h, senti as primeiras contrações após horas do rompimento da bolsa… Ali eu já sabia que encontraria o grande amor da minha vida em algumas horas… As contrações vinham e iam embora, assim como as ondas do mar… E assim eu encarava essas contrações, exatamente como as aulas de yoga e a minha querida doula haviam me ensinado: elas são ondas, pois vêm intensas mas quando se vão nos deixam com uma maravilhosa sensação de relaxamento…

A cada onda que chegava eu começava a imaginar a chegada da Esther, e tinha certeza que seria com tranquilidade. Por volta das 4h acordei meu marido, e dizia que a intensidade das ondas aumentava, e sentia que um tsunami estava por acontecer… Liguei para a obstetriz e a doula (abençoadas) que me ajudariam no caminho do nascimento da minha filha e do meu nascimento como mãe. A partir daí seguia suas orientações, tomei uma ducha bem quente, e sempre escutando os mantras da cantora que tanto me acalmavam…

Me conectava intensamente com a Esther a cada onda que vinha… Fechava os olhos e me imaginava no fundo do mar… Me imaginava no meio das ondas… E quando a obstetriz apontou que era hora de seguirmos para a maternidade com 6cm de dilatação, ali eu já começava a perceber a minha transformação… Eu já sentia que não estaria mais sozinha nessa jornada, e sim que se tratava de um lindo e forte trabalho em equipe: eu e a Esther, juntas pelo caminho da vida…

Cada vez mais sentia a intensidade daquele tsunami que vivia, e os mantras que eu ouvia me lembravam o quão serena eu deveria me manter… Pois o meu corpo me entregava para o meu lado mais selvagem, mais mamífero, mais animalesco… Eu me sentia uma leoa… Tinha vontade de urrar muitas vezes… E assim o fazia… Era libertador. Era transformador. Era renovador. Na banheira do hospital eu relaxava, as contrações eram cada vez mais fortes, porém este era todo o propósito do parto natural: sentir cada poro do meu corpo se dilatar, cada veia saltar, cada sangue se renovar à luz de uma nova vida que brotava. Sem remédios, sem analgesia, sem intervenções: só eu, a antiga Luiza, o novo ser, e a nova mãe. Juntas, sentindo cada vibração, cada contração, cada movimento daquele pequeno e poderoso corpo dentro do meu.

Após cerca de uma hora, eu sentia todo o movimento de descida da minha pequena, e meu corpo se transformando e se abrindo numa sensação jamais sentida… Essa máquina que nutrimos é mais poderosa do que imaginamos: conceber revela a perfeição que existe em cada articulação de nosso corpo… Eu senti a hora da chegada dela… Veio a vontade de fazer a força, e veio a sua cabecinha. Ainda respirando pelo cordão umbilical, manteve-se no ambiente mais sereno em que poderia estar: na água, assim como estava dentro há poucos segundos e por 9 meses… E no momento em que eu senti vontade, fiz uma segunda e prazerosa força, e ela veio por inteiro, pelos braços do pai e direto para o peito da mãe. Ali, da forma mais serena possível… Nascíamos juntas, a filha e a mãe… Enquanto ela sentia o calor do meu corpo, nutrindo-se do alimento mais poderoso do mundo: meu leite. Meu corpo. Minha vida para a minha pequena vida.

A decisão mais linda de minha vida foi me permitir viver este nascimento da forma mais natural possível, para levar esta sensação para o resto da minha vida”.

 

Relato de Parto escrito por Luiza,
7 meses depois desta experiência linda <3

Relato de Parto do Pai – GG

Postado por admin em 11/jul/2016 - Sem Comentários

RELATO DE PARTO NA VISÃO DO PAI
Na última segunda-feira dia 13/06/2016 completamos 36 semanas de gestação da nossa pequena Catarina. Nesta data a Angela pegou os resultados de alguns exames laboratoriais os quais deram resultados acima do limite para TGO, TGP e VHS, por ser à noite, esperamos até o dia seguinte e entramos em contato com a equipe médica. O Hematologista (que havia pedido os exames) pediu para que entrasse em contato com a Obstetra dra. Dolores Nishimura, a qual na mesma hora pediu para que fossemos até o P.S. fazer toda investigação de pré-eclampsia e a vitalidade da nenê.
Fomos o mais rápido possível para o pronto socorro da Maternidade São Luiz Itaim, fomos prontamente atendidos e a médica de plantão realizou o Cardiotoco que apresentou resultado normal para a bebê. Em seguida fomos levados para o P.S. de ginecologia e obstetrícia onde foi realizado o Ultrassom obstétrico (que nos mostrou que estava tudo bem com nossa Catarina, em posição cefálica, quantidade de líquido boa, sem nenhum sinal de sofrimento).
Angela recebeu medicação por via venosa, e colheu novos exames de sangue, para nossa surpresa, os parâmetros que já estavam aumentados, aumentaram ainda mais. Ao receber os resultados desses exames o médico nos chamou, nos informou das alterações e entrou em contato com a Obstetra que nos acompanhava, a qual orientou a internação.
Ficamos atônitos ao receber essa notícia, sem saber o que fazer, comecei a informar a família enquanto a Angela ficava cada vez mais preocupada. Por fim nos chamaram, pois, o quarto estava pronto. No fim da tarde a médica passou em visita e conversou conosco os riscos que teriam tanto pra colastase quanto para Síndrome de Hellp (ainda não tínhamos certeza deste diagnóstico). Baseado nisso começou-se a indução com uso do Mizo.
Passamos a noite bem na medida do possível, seguiram repetindo os exames e a colocação do Mizo a cada 06 horas.
Chegou a quarta-feira, para nós continuaríamos da mesma forma que passamos a terça-feira, repetindo os exames, induzindo com o Mizo e aguardando. No entanto às 14:00 horas a dra. Dolores chegou ao quarto no momento em que a Angela estava tomando banho pois sua mãe e sua irmã estavam a caminho do hospital. Porém as notícias trazidas pela médica não foram muito boas, saiu o diagnóstico e era o mais grave – Síndrome de Hellp. Por esta razão não poderíamos esperar mais tempo, teria que começar a ser mais agressivo na indução.
Para que isso pudesse acontecer aguardamos a chegada da Obstetriz Priscila (16:00h) e as 17:00h tivemos que descer para a sala de pré parto, foi nesse momento que chegaram para visita a mãe e a irmã da Angela (infelizmente conseguiram apenas vê-la já saindo do quarto).
Nesse momento que começou a nossa viagem em busca do perfeito, mesmo já tendo passado por um grande susto e algumas intercorrências, mas estávamos lá em busca do melhor e do que sonhamos em todo período da gestação.
Ao chegarmos na sala de pré parto iniciou-se a indução com uso da oxcitocina, eu tive que me trocar para acompanhar o parto, aguardamos a chegada da Doula Lucia e partir de então começamos com a indução não invasiva (exercícios com a bola, caminhada pelo corredor, banho quente para relaxar e descansar um pouco).
Após as 20:00 horas meu pai e minha tia chegaram ao hospital e foram para o quarto em que estávamos, ficaram na companhia da mãe e da irmã da Angela. Como nós sabíamos que o trabalho de parto poderia ainda se estender e como tínhamos o diagnóstico de Síndrome de Hellp, a médica já havia nos deixado conscientes de que a Angela precisaria ficar na UTI por 24 horas para ser monitorada e realizar a sulfatação para prevenir sequelas possíveis em decorrência da Síndrome de Hellp.
Fui dar a notícia para nossos familiares que estavam no quarto do hospital nos aguardando, todos ficaram aflitos, sem entender muito bem o que estava acontecendo, mas se coloram ainda mais ao nosso lado, feito isso peguei o computador da Angela que anteriormente tinha salvado diversas músicas para este momento. Ao chegar novamente na sala de pré parto continuamos com todos os procedimentos anteriores (bola, caminhada, chuveiro).
O tempo ia passando até quando a obstetra entrou novamente na sala e disse que não daria para esperar mais, continuava com 5 dedos de dilatação. Dra. Dolores fez novo exame de toque, novamente um pequeno descolamento da membrana do colo do útero e para que o processo ficasse ainda mais intenso e rápido realizou o rompimento da bolsa (sem nenhum instrumento mecânico, apenas os dedos).
Ai sim podemos dizer o que trabalho ficou INTENSO e TENSO, tudo foi muito rápido porque esse procedimento aconteceu às 22h, Angela estava deitada na maca, novamente o Cardiotoco ligado para ver como estava nossa Catarina. Neste momento mais uma vez fui ao encontro dos nossos familiares no quarto para informa-los de que poderiam voltar para casa que ainda demoraria um certo tempo e a visita estava se encerrando. Todos se encontravam aflitos e sem saber o que estava acontecendo de certo, todos voltaram para casa.
Retornei à sala de pré parto e Ângela já não era mais a mesma pessoa, estava em outro mundo, a cada contração que chegava Angela gritava na mesma intensidade da dor e isso fazia com que passasse mais rápido, a equipe estava toda na sala (a obstetra, a obstetriz, a doula, a médica assistente, o anestesista e eu). O anestesista iniciou a aplicação da sulfatação às 22:15 horas e a partir desse momento seriam 24 horas ininterruptas dessa medicação.
A cada minuto que passava a dor se fazia mais intensa, a posição já não era mais confortável de nenhum jeito, procurava fazer sempre o melhor para que ficasse o mais confortável possível mesmo em uma situação que não tínhamos o controle absoluto, até o momento em que a obstetra fez novo exame de toque e para nosso alívio Angela estava com 09cm de dilatação. Chegou a hora!!!
A doula foi buscar uma cadeira de rodas pois teríamos que passar a sala de parto. Porém imaginar qualquer coisa nesse período já estava quase impossível, mas a cadeira chegou e fomos toda a equipe com a Angela para a sala de parto, ela já sem posição na cadeira e quando se iniciava cada contração ela quase se deitava na cadeira.
Ao chegarmos na sala de parto foi apenas o tempo de passarmos da cadeira de rodas para a banqueta de parto as contrações se seguiam ritmadas e fortes até o momento em que a médica diz que está coroando e que Angela precisava fazer mais força, porém seu períneo é tão forte que nossa Catarina não passava. Até o momento em que a obstetra disse que precisaria fazer a episiotomia (foi nesse momento que me vi de mãos atadas, mas não queria isso de forma nenhuma, pois sabíamos o risco que isso poderia ter para o resto de sua vida) no entanto segundos depois em um momento iluminado, a dra pediu o vácuo (que alívio).
Após a colocação do vácuo, bastou mais 02 contrações para que nossa pequena Catarina fosse colocada em nossos braços (nossa bonequinha de leite como disse a Angela no momento em que viu a Catarina pela primeira vez) às 23:07 horas do dia 15/06/2016.
Junto com nossa Catarina, veio um sangramento considerável, onde teve-se que colocar a Angela na maca para estancar e aguardar o nascimento da placenta que demorou em cerca de mais umas 03 ou 04 contrações. Durante esse período Catarina ficou nos nossos braços, onde a pediatra avaliou e fez o teste do olhinho. Enquanto a pediatra avaliava a Catarina (padrão respiratório OK, pesando 3135grs, APGAR 9 e 10), a equipe tentava estancar o sangramento da Angela e eu fiquei ali atônito sem saber se acompanhava a pediatra com nossa Catarina ou se ficava ao lado da Angela.
Passados todos os processos para estancar o sangramento e preenchimento dos protocolos tanto da Angela quanto da Catarina, fomos para mais uma etapa que não seria nada fácil, como a Angela precisou ficar na UTI devido à Sulfatação a Catarina também ficou na UTI Neonatal aguardando a alta da Angela para que pudéssemos ir todos para o quarto. Nesse período eu quase surtei, pois tinha que dividir o tempo entre acompanhar duas nas UTIs (ajudando a Angela a se alimentar, pedindo auxílio aos enfermeiros, vendo a Catarina naquela incubadora, pegando-a no colo mesmo com os fios da monitorização, implorando para que o leite fosse ofertado à ela no copinho e não na mamadeira, tirando fotos para que a Angela pudesse ver como estava nossa Catarina), continuava informando nossa família e resolvendo todas as coisas para que tudo se resolvesse o mais rápido possível. Até que chegou a sexta-feira dia 17/06 e tivemos a boa notícia de que a Angela estava liberada para ir para o quarto às 10h da manhã, porém tivemos que esperar até às 20h para conseguirmos ir para o quarto (outra batalha pois de hora em hora eu ia até o setor administrativo para me informar e diziam que não tinha quarto disponível. Pensei em uma solução que poderia ser mais rápida, entrei em contato com a médica da Angela e informei a situação, ao passar em visita ela resolveu esse impasse e fomos para o quarto).
Ao chegarmos ao quarto, nos instalamos e fui até a UTI Neonatal para informar o quarto que estávamos para que a Catarina pudesse ser levada para ficar conosco, porém mais um contratempo. Foi colhido exame de sangue da nenê e seu nível de bilirrubina estava alterado, ou seja, seria necessário que ela ficasse na fototerapia (banho de luz), com isso não foi possível passarmos a primeira noite com ela no quarto, porém levei a Angela até a UTI Neonatal onde estava a Catarina para que tivessem o segundo encontro de mãe e filha tendo em vista que o primeiro aconteceu apenas na hora do parto 48h atrás, mais um momento de muita emoção para mim, pois vi as duas mulheres da minha vida juntas e todos passando bem depois do susto.
No dia seguinte, sábado às 08h da manhã fomos novamente encontrar Catarina e a Angela pode amamentar pela primeira vez, e mais emoção tomou conta de mim. Após a primeira mamada na UTI fomos informados que a nenê poderia fazer o banho de luz no quarto em que nós estávamos, assim poderíamos permanecer com todo minuto, realizando todos os cuidados que fosse necessário para ela.
E para nossa felicidade Catarina chegou ao nosso quarto por volta das 11h da manhã com um berço próprio para realizar o banho de luz, de onde só poderíamos tirá-la para amamentar e fazer a troca da fralda, mas só o fato de sabermos que ela estava ali, podermos olhar para ela a todo momento e estarmos responsáveis por tudo que ela precisasse era tudo que queríamos. E assim foi até o dia seguinte, domingo dia 19/06/2016 quando Catarina teve alta no horário do almoço aproximadamente e a Angela teve alta às 20h.
Saímos do hospital por volta das 20:30h aproximadamente e graças a Deus superamos todas as barreiras, conseguimos ser fortes em todos os momentos e agora estávamos indo para casa, nossa família tinha aumentado e após 06 dias de hospital saímos com a nossa pequena Catarina nos braços, um misto de alegria, alívio, apreensão com o novo, cansaço pela rotina do hospital e da própria situação pela qual passamos.
Tenho apenas que agradecer a toda equipe porque estiveram sempre fazendo o melhor dentro do que era viável para a intercorrência que se tornou presente, ouviram todas as nossas solicitações, conversaram sempre abertamente conosco sobre o que seria melhor e os riscos possíveis.
OBRIGADO ANGELA E CATARINA pela força e coragem que vocês duas tiveram, meu amor por vezes cresceu ainda mais de uma forma que impossível mensurar. Sou o homem, marido e pai MAIS FELIZ e ORGULHOSO do mundo!!!