Relato de Parto JB

por admin em 25 de abril de 2017 | Sem Comentários

*** Comemorando o fim da extereogestação de uma bebê muito fofa, segue o relato de parto escrito pela mãe dela dias depois que ela nasceu <3  =)  <3

 

Foi no dia em que completei 38 semanas de gestação que a minha bolsa estourou. Na verdade, foi de madrugada, perto da meia-noite. Estava dormindo e percebi imediatamente que a bolsa havia estourado, pois saiu muita água. Contei, no mesmo momento, o que havia acontecido no grupo de whatsapp que havíamos criado para o acompanhamento do meu parto. Nele estavam eu, o meu companheiro Rafael, a Dra. Desireé Encinas, as enfermeiras Beatriz Kesselring e Visiane Batista, e a doula Lucia Junqueira. Escrevi para o grupo e a Lucia me respondeu fazendo as perguntas necessárias para aquele momento. Como as contrações não haviam começado e a água estava incolor, ela me orientou a voltar a dormir, o que eu fiz tranquilamente, pois sabia que o dia seguinte poderia ser longo e cansativo. Consegui ficar tranquila, pois estava muito bem informada devido às conversas que havia tido durante as consultas tanto com a Dra. Desireé como com a Beatriz e com a Lucia. Eu sabia que não havia por que me desesperar e, se eu realmente queria ter um parto natural, somente com as intervenções médicas necessárias, deveria seguir o seu conselho.

Eu e meu companheiro dormimos até as 7h da manhã. Acordei um pouco ansiosa e liguei para a Dra. Desireé, que me orientou a fazer uma caminhada para estimular as contrações, que ainda não haviam iniciado. Decidimos preparar a mala para a maternidade e então saímos para caminhar. Fizemos uma caminhada gostosa, em que pude ligar para amigas e irmãos. Passamos no mercado para comprar comidas especiais para o parto e para o pós-parto. As contrações realmente começaram durante o passeio, mas ainda eram bem leves. A Visiane veio na minha casa por volta da hora do almoço. Tivemos uma conversa gostosa enquanto eu almoçava e, então, ela avaliou como estava o andamento do trabalho de parto. Ali fizemos o primeiro exame de toque, que foi muito cuidadoso, como todos os seguintes. Naquele momento, eu ainda estava com 1 centímetro de dilatação, mas a boa notícia era que o colo do meu útero já havia afinado bastante, o que ajudaria no processo. A Dra. Desirée também havia me orientado a fazer uma sessão de acupuntura. Gostei da sugestão e consegui agendar uma sessão na minha casa às 14h. A acupuntura parece ter acelerado as contrações e posso dizer que foi uma ótima ideia ter feito essa terapia alternativa, em vez de ter que encarar uma indução com ocitocina ou outra forma de indução. Assim que a sessão terminou, fomos ao Hospital São Luiz. O trajeto foi um pouco difícil, pois as contrações já estavam fortes e a dor é pior quando estamos sentadas. A sorte é que era um sábado e não pegamos muito trânsito.

Quando chegamos ao hospital, a Dra. Desireé já estava me esperando. Ela me acompanhou tanto na recepção, quando tive que responder a perguntas como “Qual é a sua religião?” e “Qual é o seu grau de escolaridade?”, como nos procedimentos médicos protocolares, como a cardiotocografia e o exame de toque. Na verdade, foi ela quem realizou esses exames, o que me deixou bem mais tranquila, pois há relatos de que as enfermeiras do hospital nem sempre os fazem com a gentileza devida. Foi ali também que recebi o antibiótico na veia, pois já haviam passado mais de 16 horas que a minha bolsa havia estourado e esse é um procedimento para evitar que o bebê tenha alguma infecção. No momento do toque, foi aquela surpresa, pois já estava com 7 cm de dilatação. Foi nesse momento que decidi que não chamaria o anestesista, pois o andamento do trabalho de parto estava indo muito bem e eu não queria que a analgesia desacelerasse o processo, nem queria que minha filha sofresse com seus efeitos colaterais. Foi uma decisão muito importante para mim, pois eu sempre tive muito medo da dor do parto. Durante a gestação, li bastante sobre partos. Racionalmente, eu não queria que houvesse a analgesia, mas eu tinha medo e achava que não suportaria a dor. Foi muito bom saber que eu podia suportá-la e isso fez eu me reconhecer como uma mulher mais forte do que imaginava ser.

Fomos à sala de pré-parto, onde fiquei sentada numa bola de pilates e com a água do chuveiro caindo nas costas, o que alivia muito as dores das contrações. Mas ficamos pouco tempo ali. Para a minha alegria uma das salas de parto humanizado ou de “delivery”, como se diz no hospital, ficou disponível e pudemos ir para lá. A Visiane chegou ainda quando estávamos no pré-parto e a Lucia, logo depois, no “delivery”.
Já bem acomodadas e com a equipe completa, agora eu precisava me concentrar para a chegada da nossa Teresa. Não sei dizer exatamente a que horas chegamos no “delivery”, mas posso dizer que pude respeitar o ritmo do meu corpo e da minha filha. As contrações iam ficando cada vez mais frequentes e eu ia experimentado posições que me faziam sentir menos dor. A Lucia me ajudava, sugerindo posições e falando palavras que me faziam relaxar. Ela ajudava também o Rafael, deixando-o mais tranquilo e orientando-o. A Visiane colocou uma trilha sonora gostosa. A Dra Desireé sempre analisando e coordenando tudo com muito cuidado. Entre as contrações, conversávamos sobre alimentação, astrologia, filosofia; eu comia, bebia, me recarregava.
O momento mais difícil foi para passar dos 9 cm para os 10 cm de dilatação. As contrações já estavam bastante intensas e eu estava bastante cansada. Comecei a ficar tensa e o processo demorou bastante nessa etapa, acredito que durou aproximadamente 3 horas. A participação de meu marido foi muito importante em todo o parto, mas nesse final ele foi literalmente como um porto seguro, em que eu me ancorava para suportar a dor. Ficamos, eu e ele, um tempo na banheira a sós, para que pudéssemos conversar e relembrar de nossa história. Depois disso, Teresa não demorou muito mais a chegar. Na fase final, o expulsivo, fui para o banco de parto. Acho que ela chegou em 30 minutos e o círculo de fogo doeu muito menos do que eu imaginava. A equipe toda me ajudou a encontrar a melhor posição e me orientou em como fazer a força necessária e em como gritar. Aliás, gritei como nunca imaginei ser capaz e isso me ajudou a fazer força.

Lembro de quando senti a cabeça da minha filha pela primeira vez. Foi inacreditável! Teresa chegou às 21h21 do dia 21 de janeiro. Assim que nasceu, ela veio para o meu colo. Eu chorava e ria ao mesmo tempo. O nascimento é como um milagre, algo inexplicável. Ela ainda ficou um tempo ligada a mim pelo cordão umbilical, para que pudesse aprender a respirar com seu pulmão. O pediatra, Dr. Ricardo Coutinho, a analisou, viu que estava tudo bem. Em seguida fui para a cama com ela, para que ela pudesse mamar. Foi impressionante a rapidez com que ela pegou o meu peito e a força com que ela o sugou. Ficamos ali por aproximadamente 2 horas. Eu levei dois pontos e o Dr. Ricardo ficou cuidando da nossa filha ali mesmo, ao nosso lado.

Fiquei muito feliz por ter tido nossa filha de uma forma tão linda, com pessoas tão respeitosas e que têm amor pelo que fazem. A confiança que tive na equipe foi essencial para poder me entregar a este tão momento importante em nossas vidas. Digo que elas foram feiticeiras que me ajudaram a relaxar e a me fortalecer. Ainda hoje, quando estou com alguma dificuldade para entender a minha bebê ou quando estou esgotada fisicamente, me lembro desse momento tão intenso que a foi a chegada dela e de como todos foram essenciais para que isso acontecesse. Toda a equipe entrou para nossa história, tem um lugar especial em nossa família. Sou muita grata a elas.

 

 

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Livro novo no Brasil – Tradução por LDJ ;-)

por admin em 9 de março de 2017 | Sem Comentários

No ano passado (2016) tive o imenso prazer de trabalhar na tradução de um livro muito gostoso: Belly Mapping – Guia prático de Belly Mapping da Gail Tuly.

É um livro leve que conduz a gestante/família para a identificação e desenho do bebê que ainda está na barriga… uma viagem de auto-conhecimento e comunicação com o bebê que ainda não nasceu, mas já se comunica vivamente através de suaves (às vezes não tão suaves) chutes, cotoveladas e joelhadas… aconselho todo mundo a ter um durante a gestação e/ou presentear uma gestante com um destes exemplares, fácil e muito útil para usar! Excelente presente para Chá de bebê (ou para usar lá!)!

A seguir, mais uma descrição e a opção de onde comprar 😉

 

https://www.emporiomaterno.com/guia-pratico-de-belly-mapping

 

Bom proveito!!

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Motivação para aprender a Hipnose, que melhora a Gestação e o Parto – por Gabriela

por admin em 13 de fevereiro de 2017 | Sem Comentários

Gabriela Laplane compartilhou também sua motivação para pegar a ponte aérea e participar de uma das primeiras turmas do Curso de Hipnose Melhorando a Gestação e o Parto; vejam que bacana:
“A minha motivação para fazer o curso veio da percepção de como a técnica de hipnose foi positiva para a experiência de gestação, parto e pós-parto da minha filha. Era a minha segunda gestação e apesar de ter me informado muito bem, lendo todos os livros e participando de rodas de gestantes e de ter praticado ioga durante toda a gestação, me conectando com o meu bebê, eu fiquei muito ansiosa durante o parto e tive muita dificuldade para me concentrar e relaxar.
Com as práticas de hipnose a minha percepção corporal, meu estado de ânimo e minha capacidade de concentração mudou completamente. E o resultado da prática dos relaxamentos e dos exercícios de respiração foi um parto muito mais tranquilo, rápido e consciente. Me senti segura, feliz e em muitos momentos nem dor senti. Foi uma experiência maravilhosa que mudou a minha relação com a dor. Utilizo as técnicas até hoje nas mais diversas circunstâncias. Por isso, atuando como doula, tendo paixão por acompanhar gestantes e casais durante esse período de espera e nascimento do bebê, tudo o que eu queria era poder disponibilizar mais essa ferramenta, para que outras pessoas pudessem passar pela experiência maravilhosa que eu passei.”
Gabriela Laplane, Doula que recomendo no Rio de Janeiro 😉
Ela também escreveu algo relevante sobre a experiência dela com o curso… legal ler quem ainda se sente inseguro sobre a real relevância do curso na prática clínica:
“Acho que fica uma dúvida ao final do curso, como acontece em todo curso, fruto da ansiedade: será que serei capaz de colocar em prática o que aprendi? Assimilei as técnicas de hipnose?
Eu acho que tive uma vantagem extra por estar mais familiarizada com o tema pelo curso de Hypnobirthing. Foi mais fácil assimilar a perspectiva profissional já tendo passado pela experiência de cliente. Mas lembro de ter me sentido com essa dúvida enquanto fazia os treinamentos do Hypnobirthing: será que é isso mesmo? Estou no caminho certo? Haverá mesmo algum efeito deste treinamento na hora do parto? Durante o pré-natal foi ótimo, sem dúvida, era claro o efeito que o relaxamento tinha sobre mim. Mas é isso, ansiedade! Porque a experiência é que nos faz ter a real dimensão das coisas… Assim, acredito que praticando, as alunas (os) do curso vão ficar muito satisfeitos quando virem os resultados!”
É por isso que o curso é bem prático mesmo! Para que todos possam sair praticando e realmente colham bons frutos! 😉

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Relato sobre a participação no Curso de HMGP – por Gabriela

por admin em 13 de fevereiro de 2017 | Sem Comentários

“O curso foi muito proveitoso porque os benefícios da hipnose na gestação, parto e pós parto são passados de maneira muito clara. O relaxamento, a segurança, a concentração, o acolhimento e os pensamentos positivos são ferramentas valiosas em diversas situações e, principalmente, quando uma mulher está gestando, parindo e cuidando de um bebê.

Me deparei com a importância do curso enquanto ainda estava no meio dele, num pequeno intervalo entre um módulo e outro: encontrei com uma amiga grávida, que me revelou que estava revivendo uma experiência negativa da primeira gestação cada vez que ela tomava banho. Ela me disse que se sentia ansiosa, com taquicardia e muito apreensiva, apesar de racionalmente saber que a experiência ruim não estava se repetindo naquele instante. Foi então que me lembrei de uma das técnicas descritas no curso. A técnica consiste em, primeiramente, tirar o foco da ansiedade da pessoa com um exercício de relaxamento ou distração e, em seguida, essa pessoa é convidada a analisar novamente a situação vivida. Desta forma, ela tem condições de deixar a posição de agente para assumir (também) a posição de observador. Com isso, utiliza a razão para analisar as suas reações e pode entender e até mesmo controlar melhor os sentimentos trazidos pelo subconsciente. Depois deste exercício, usamos outra técnica de hipnose aprendida no curso: sugeri à minha amiga um vínculo positivo com o banho nesta nova gestação. Com a repetição do exercício, as boas impressões do banho ganhariam lugar no subconsciente. “
Gabriela Laplane, Doula
*Gabriela contou esta história no segundo dia do curso, dizendo que deixou sua amiga (na noite anterior) já mais tranquila e muito grata!

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Relato sobre a participação no Curso de Hipnose Gestação e Parto

por admin em 13 de fevereiro de 2017 | Sem Comentários

Hoje venho falar sobre o curso de Hipnose Melhorando a Gestação e o Parto ministrado pela Lúcia Junqueira.

Minha cunhada estava grávida e 5 meses e conheceu o trabalho da Lúcia através de uma palestras para casal gravido. Eles fizeram um curso com a Lucia para se preparar para o parto (natural) e ficaram encantados com tudo que aprenderam. Então logo que saíram do curso, meu irmão falou que era pra eu fazer um curso com a Lúcia. Imediatamente entrei em contato.

O curso que eu fiz, é um dos cursos que a Lúcia oferece. O curso de Hipnose Melhorando a Gestação e o Parto direcionado para profissionais, aborda assuntos sobre a vivência do parto e técnicas de hipnose para a preparação para este momento tão desejado e cheio de expectativas e mitos que podem assustar a gestante.

O grande diferencial do curso de Hipnose Melhorando a Gestação e o Parto comparado com um curso de Hipnose tradicional (que eu já havia feito), é que a proposta do trabalho é baseado em parceria: o profissional utiliza técnicas e orienta a gestante como realizar estas técnicas em casa e no momento do parto. Não é focado em transe hipnótico, no qual o paciente depende das sessões para trabalhar crenças e questões do subconsciente. A gestante tem participação ativa no processo.

Este curso foi um divisor de águas na minha carreira.

Agradeço ao meu irmão e minha cunhada pela indicação e à Lúcia pela doçura e paixão pelo trabalho que ela realiza. Amei a forma clara como ela nos ensinou.

Pretendo plantar esta semente por onde for e indicar o maior número de profissionais para aprender esta técnica que serve para a vida. E meus pacientes agradecem, junto com as gestantes que poderão vivenciar este momento com muito mais prazer que medo!!!

Lílian Mara – Psicóloga e Coach

2016

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Relato do uso da Hipnose durante o parto – Visão da Profissional – 1

por admin em 13 de fevereiro de 2017 | Sem Comentários

É com muito prazer que tarnscrevo aqui esta linda história de sucesso, compartilhada por uma das minhas alunas de 2016, a obstetra de Salvador, Adriana Monteiro:

 

“Como plantonista de emergência, também podemos trabalhar com gestantes que muitas vezes não seremos nós  a assistir o parto.
Primigesta de 30 anos, acompanhada da irmã que pariu cesaria eletiva. Encontrei-a deitada numa maca, no corredor da emergência que estava superlotada, mas era uma emergência geral-idosos, homens e mulheres todos juntos separados apenas por biombos/cortinas.
Ela estava deitada de lado, com o rosto coberto, os olhos fechados gemente…

Cheguei sorrindo para a acompanhante, me identifiquei; por cima do lençol toquei de leve a cabeça da paciente. Chamei-a pelo nome e pedi  que descobrisse o rosto.
Sorri novamente, com calma, olhei nos olhos, e afirmei: bom dia, moça! Que bom! Estou vendo que tem um pimpolho que quer chegar! Como se chama seu filho?
Ela respondeu com um sorriso de dor.
Perguntei como poderia ajudá-la e se eu poderia lhe dar umas dicas.
Comecei a conversar, pedi que se sentasse mais confortável.  Ela deseja natural. Reforcei que ela já estava em parto.
Não toquei. Já tinha contrações efetivas, há uma hora haviam tocado com apenas 1 cm. Apenas tanquilizei com o sonar que o bebe (pelo nome) estava ótimo e feliz por estar chegando.
E aí, vem a parte legal.
Pedi que fechasse os olhos. Orientei as respirações, fiz movimento horário síncrono com a respiração em suas costas  (passando a mão com firmeza mais delicadeza, em círculos, como se eles orientassem a respiração) e comecei a dizer a ela: vc está calma, seu bebê está chegando, olha que coisa linda, seu corpo se abrindo…se concentre, sempre há muito barulho aqui do lado de fora, mas vc está conectada apenas com seu útero e seu bebê.  Nos esqueça aqui fora.
Eu apenas internei essa mulher. Era fim de plantão.
Definimos juntas a frase de poder: há muito barulho aqui fora, mas eu estou em silêncio aqui dentro.

Fui embora de coração apertado.

Na noite seguinte, fui visitá-la. Fiquei transbordando de felicidade! Agora ela me recebeu com um imenso sorriso!!!
Obrigada, eu pari rápido! Obrigada, fiquei no meu silêncio, piscou pra mim e me mostrou seu bebê.

Me relatou tudo, sua vontade de desistir mas sempre se lembra ando do meu aviso que cá fora estaria muito barulho e ela precisava fechar os olhos, respirar e se concentrar no útero e no bebe.

É  isso. Em 15 minutos pude fazer um trabalho de que conectou a mulher durante todo seu trabalho de parto.

Ah, fundamental explicar ao acompanhante como ele pode ajudar, frases positivas de incentivo.

Ensinar a paciente a fazer seu ninho em meio ao caos. O lençol no rosto e os olhos fechados eram a forma dela se defender dos estímulos externos. Valorizem isso. Valorizem o desejo dela. Trabalhei o medo da dor (dei explicações detalhadas sobre para que serve a contração e a normalidade da dor…Que fomos feitas pra isso, nosso corpo dá  um jeito…) sempre palavras delicadas e positivas.

Um bjo grande, Lúcia, feliz por poder contribuir.”

Nós que agradecemos pelo seu empenho, bonito trabalho e compartilhar! _/\_

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Histórias e relato de parto de um pai

por admin em 3 de fevereiro de 2017 | Sem Comentários

Tive o prazer de conhecer mais uma família linda recentemente e acompanhá-los na jornada especial da gestação e parto… o casal me tocou profundamente por vários detalhes que não consigo explicar, mas sei que era muito gostoso estar com eles, saber deles, receber notícias e participar… o lindo plano de parto (baseado nas nossas conversas, mas definitivamente, o que mais chegou perto do essencial), um poema lindo sobre a espera do bebê como lembrancinha de nascimento, um sotaque gostoso, uma história bonita demais e… e um blog que o pai decidiu fazer para contar ao filho as histórias da família que ele escolheu lá do céu… uma lagriminha de emoção ao saber que a mãe do pai (avó do bebê Miguel) ficou viúva quando estava grávida deste homem, que não teve a oportunidade de saber do mundo aos olhos de seu pai… e então decidiu registrar para o filho, desde já, tudo o que via com seu coração…

“Só” isso já era o suficiente para eu querer ler o blog todo e compartilhar com todo mundo a ideia deste carinho e cuidado tão lindo e declarado… mas aí, veio mais um estímulo: o pai escreveu sobre o parto… e sobre sua mulher guerreira parindo… e ficou lindo!! Segue o link deste blog (e relato de parto) inspirador para quem quiser conferir:

A chegada

Muito obrigada família linda! <3

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Doula com prazer! =)

por admin em 21 de janeiro de 2017 | Sem Comentários

 

O quadro acima mostra de maneira engraçada uma realidade cruel… até hoje, a maioria das pessoas não sabe o que uma doula faz… às vezes, nem mesmo quem já teve uma doula sabe dizer exatamente, mesmo que incentive largamente que todos os seus amigos e conhecidos tenham uma! rs. E o pior é que nem a última foto do quadro (com a legenda “O que realmente eu faço”) diz exatamente o que uma doula faz… ‘ela vai pegar o bebê? Não é o médico que faz isso?’; ‘porque ela está segurando o bumbum da mulher?’; ‘ela está fazendo massagem?’; ‘ela só ajuda quem loucamente decide ter um parto natural radical, sem anestesia, de cócoras ou na banheira?’ A foto nem sempre consegue mostrar o que realmente fazemos, como ajudamos, qual é o nosso papel… porque ele vai muito muito além do que fazemos com nossas mãos ou com nossa presença física… e como atualmente (ainda bem!) já existem centenas de posts em sites, blogs e outros tipos de mídias sobre o real papel da Doula, não vou falar sobre isso aqui… maaaaaas, vou aproveitar a oportunidade para contar o que eu ganho com isso (e com minha atuação como Educadora Perinatal), porque acredito que é importante, porque continuo, porque trabalho com prazer. Segue uma listinha inspirada nos vários partos e depoimentos de famílias que acompanhei:

  • Ajudar uma família a se tornar família: sim, porque apesar de acharmos que se tornar família é apenas uma questão compulsória de ser um casal e ter um filho(a), não é bem assim que acontece. Se tornar família significa querer estar perto, querer participar, querer e batalhar para trazer mais conforto e felicidade para quem se AMA com cada célula do seu corpo… é muito mais uma questão de escolha, prioridades e disponibilidade do que uma determinação do sangue e da genética, que de verdade, é muito muito mais fácil…
  • Ajudar um pai a se tornar PAI: porque ele entendeu qual era o seu papel no parto, porque ele estava lá, participou e sentiu tudo com sua companheira (mulher que está cedendo seu corpo, sua vida e seu tempo em prol do bebê, da família) mesmo sentindo seus próprios medos e frios na barriga, porque ele também se emocionou ao ver seu filho(a) nascer, porque ele também passou a amar ainda mais aquele pequeno ser… porque ele também não quer mais desgrudar deste ser… então ele se dá a oportunidade de AMAR de verdade e passa a participar ativamente de tudo… desde a troca das fraldas e noites mal dormidas, até a escolha das escolas, brinquedos, comidas e etc… ele está presente e com isso, além de deixar de sobrecarregar a mulher com milhares de tarefas que a sociedade espera que ela faça sozinha, ele também se dá a oportunidade de ser amado incondicionalmente por alguém… mesmo que ele tenha que ser diferente de todos os outros pais que conhece, familiares e amigos…
  • Ajudar uma mãe a se tornar MÃE: porque uma vez incentivada a ouvir e validar seu coração e seus instintos naturais no parto, ela abre uma trilha, um caminho… o caminho da maternidade real, também instintiva, afetiva e inexplicável na maioria das vezes… irracional algumas outras tantas vezes… mas essencial para que consiga tirar suas crias das situações e pessoas ao menor sinal de perigo. É neste caminho que ela também encontra forças para validar seu núcleo (mesmo que seja necessário inventar novas formas de relacionamento), suas escolhas (mesmo que precise rejeitar a linda chupeta que a família comprou de presente), seu jeito de fazer  e de ser mãe, com seus erros e acertos, mas sempre SEUS…
  • Ajudar pessoas a pensarem fora da caixinha, para além do seu quadrado: porque as famílias que descobrem um “novo” jeito de trazer um bebê ao mundo, acabam por começar a pensar que talvez, também exista um jeito diferente de se alimentar, outro lugar para levar os filhos nas férias, outros filmes para assistir na TV, outra lista de enxoval, outras linhas de tratamento e ensino escolar, um outro médico para o mesmo problema… e talvez, essas pessoas possam novamente desviar o olhar da mídia comum e correr atrás de ser mais feliz de novo, de encontrar um outro caminho mais gentil e tranquilo para cada aspecto da vida, to trabalho, do coração…

 

É isso o que me SATISFAZ!!!! É isso o que me alimenta, me nutre, me ajuda, me faz continuar, mesmo com muitos desafios e madrugadas em claro!! Eu acho que vale a pena e definitivamente, esta é a melhor parte do meu salário!!!

E por isso, agradeço muito a todas as famílias que me escolheram para acompanhá-las e

me deram esta deliciosa oportunidade!!

 

Até hoje fico maravilhada com o nascimento de cada bebê, mesmo sabendo que este é o final de todos os trabalhos de parto! Até hoje acho a gestação e o parto um milagre, de tão incrível! Até hoje fico muito feliz com os novos caminhos trilhados pelas famílias que conheço! E sempre sempre sempre sinto meu coração cheio com as notícias e fotos que me mandam!!!

 

MUITO MUITO GRATA!

_/\_

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Relato de Parto Angela – Ideal X Real

por admin em 5 de outubro de 2016 | Sem Comentários

Minha história com o parto começa com a história do meu próprio nascimento: um parto normal (PN) induzido antes do momento, pois senão “passaria da hora”, com uso de fórceps que me causou hematomas e muita violência obstétrica. Sempre ouvi os relatos da minha mãe sobre o quanto foi difícil e traumática a forma como nasci e isso me causava arrepios! E fui crescendo com certo pavor de gravidez e, principalmente de parto! Quatorze anos após meu nascimento, minha mãe pariu minha irmã (dessa vez, mais experiente, só foi para a maternidade quando as contrações estavam mais próximas e intensas. Outro ‘PN’, com intervenções desnecessárias e violência obstétrica, mas um pouco menos traumático). Vi uma episiotomia…com certeza desnecessária… A referência que se tinha de um PN era de sofrimento, intervenções agressivas e desnecessárias, e pouco ou nenhum poder sobre o parto por parte da mulher. Este era e, infelizmente ainda é, em muitos hospitais, o sistema de saúde oferecido ao dito ‘PN’!!

Tudo isso só me fazia ter mais receio (na verdade, quase pavor, de engravidar e passar pelo parto). E assim o tempo foi passando… até que um dia, li o lindo e forte relato de parto da Cecília (filha de uma amiga, a Ludimila) e ‘comecei a sair da caixinha’… começava ali, há cerca de cinco anos, uma visão diferente do parto! Podia ser de outra forma!!

Conheci o Guilherme, meu marido. Noivamos, casamos e, um dia falando sobre filhos, procurei o tal relato de parto e dei para ele ler. ‘É isso que eu quero para mim, um parto com respeito’! Ele, também da área da saúde, já tendo acompanhado os dois tipos de parto (normal e cesárea), concordou.

Logo após nosso casamento, tive uma suspeita de trombose e fiz toda a pesquisa para trombofilia. Tudo ok, somente uma mutação genética (metilenotetrahidrofolato redutase – MTHFR) em heterozigoze, uma variante da normalidade, já que muitas mulheres brasileiras apresentam. Conversei com meu GO (fofinho) da época sobre a intenção de engravidar e após alguns exames e introdução de ácido fólico e vitaminas, estava liberada!

Começamos a tentar em outubro do ano passado. O Guilherme jurava que eu já havia engravidado naquele mesmo mês, mas eu dizia que não, que não era tão fácil assim! ‘É meu corpo, você acha que eu não saberia’? Mas de tanto ele insistir que eu já estava grávida, comprei um teste de farmácia (mesmo antes da menstruação atrasar!) e fiz para provar que não estava! Dia 30 de outubro de 2015, sexta-feira à tarde, estávamos em casa… fiz o teste só para provar que… dois risquinhos!!! Como assim? Não conseguia sair do lugar! Todos os temores reapareceram ali, naquele momento! Não sei definir ao certo os sentimentos, pois foi um misto de medo, alegria, surpresa… Pensei em uma menina assim que vi o ‘positivo’, mas logo a sensação passou. Ainda não acreditava muito naquele teste e então fiz o exame de sangue: POSITIVO!!! Assim, descobri minha gestação com apenas três semanas!!! E neste momento começou toda a busca pelo ‘meu parto’. Eu queria mudar aquela história da família, eu precisava mudar minha visão de que parto significava sofrimento! E assim mergulhei de cabeça na busca pelo MEU parto. Queria não somente um PN. Queria mais que isso: um parto respeitoso, um parto humanizado e, acima de tudo, um parto que fosse o melhor para minha bebê, que ela chegasse a esse mundo da forma mais tranquila e respeitosa possível. Mas estava longe do tal empoderamento que nos é tão necessário neste momento da vida, afinal não temos um sistema de saúde que nos proporcione isso, muito pelo contrário!

Primeira consulta com meu GO… e ele disse que faria um PN. ‘Nossa, que bom! Um médico do convênio que fazia PN’! Primeiro trimestre, muitooooo enjoo, muitoooo sono, barriga crescendo… As consultas foram acontecendo até que, numa das conversas com as queridas Mônica e Ludimila, elas me alertaram sobre algumas perguntas ‘interessantes’ para se fazer ao médico. E eis que percebo que o tal GO (fofinho) era de fato um cesarista!

Em nossa última consulta com o tal GO, lá pela 24ª semana de gestação, eis que ele me pergunta: ‘você ainda pensa em ter PN? É melhor uma cesárea que você vai arrumada para o hospital, não vai sofrer… e além do que, se você entrar em TP e eu estiver no consultório, não vou poder parar minhas consultas’! Saí do consultório sem acreditar no que eu tinha ouvido! O Guilherme, que me acompanhava em todas as consultas, também não.

Não critico a cesárea em si (mas continuo com pavor de uma!). É uma cirurgia que salva vidas quando bem indicada! Só não aceito esse sistema que impõe uma de forma eletiva, fria, sem nenhuma indicação, sem esclarecimentos! Esse sistema violento, que não acolhe, que não respeita a mulher. Não, não era isso que queria para mim. ‘Uma vez fora da caixinha, jamais de volta a ela’!

Apesar do Gui querer e entender o PN, senti que ele não estava 100% seguro. Após uma longa conversa no feriado do carnaval, assistimos o documentário ‘O Renascimento do Parto’ e ele adentrou comigo o mundo do PN humanizado. Pronto, eu tinha o apoio que precisava!

Já tinha indicação de alguns GO´s humanizados e foi assim que cheguei a uma consulta com a dra. Dolores Nishimura, com 26 semanas de gestação. Amor à primeira vista! Era ela, seria ela! Saí da consulta aliviada, calma, assim como o Gui. A partir daí a equipe foi formada (as queridas Lucia Junqueira (nossa doula), Priscila Raspantini (nossa parteira/obstetriz) e a dra. Vania Medeiros (nossa neonatologista, que acabei conhecendo somente na hora do parto! Rs…). A cada encontro, muita informação, muito respeito, muito carinho. Pronto! Equipe formada! Seria um parto hospitalar (não estava pronta para assumir um parto domiciliar, não o primeiro parto).

Nessa época já estávamos mergulhados no mundo da humanização! Fizemos yoga para gestante (isso mesmo, fizemos eu e o Gui, com a querida Flavia, do espaço Nascer Feliz. Eu, que sempre fui ansiosa, ligada no 220, precisava me encontrar neste momento, precisava me conectar com minha bebê, focar). Devoramos relatos de parto, artigos, livros e vídeos; fizemos cursos e fomos aos encontros de gestantes (ah, como eu adorava os encontros e as discussões de ‘barrigudinhas’ da Casa Moara e do GAMA!!!). Não importava o cansaço após um longo dia de trabalho, esses encontros me renovavam, me davam mais forças para seguir naquilo que eu acreditava e queria para a chegada da minha pequena!!!

E assim as semanas foram passando, gestação super tranquila, sem intercorrências. A DPP era 11 de julho. Preparamos a playlist do parto e eu a escutava quase que todos os dias. Eu e o Gui discutimos várias vezes nosso Plano de Parto, mas não chegamos a escrevê-lo.

Dia 13 de junho, segunda-feira, 36 semanas. Por volta das 22h00 peguei pela internet os resultados de alguns exames e, para minha surpresa, três deles bem alterados. Dois eu sabia que estavam relacionados às enzimas hepáticas (já tinha lido algo sobre). Algo estava errado. Era tarde e achei melhor falar com a GO no dia seguinte pela manhã. Praticamente não dormi durante a noite (além da posição já não ajudar e do refluxo que vinha me acompanhando há alguns dias, aqueles exames alterados me preocupavam).

Dia 14 de junho, terça-feira. Tinha paciente às 7h45. Logo em seguida enviei os resultados para dra. Dolores e de pronto recebi uma resposta que me desestabilizou: ‘vá para o PS avaliar pré-eclâmpsia e a vitalidade da bebê’. Como assim? Estava tudo certinho, tudo redondo até então: exames, PA… não apresentava nenhum sintoma… Subi e chamei o Gui (trabalhamos juntos) e fomos de imediato para o São Luiz. Chegando lá, fui logo atendida. Catarina ótima! Batimentos, peso estimado, movimentação, ILA! Repeti os exames. PA normal, mas os exames alterados estavam com valores mais alterados ainda! O plantonista entrou em contato com a dra. Dolores e decidiu-se pela internação e provavelmente indução do parto. Suspeita de síndrome de HELLP. Não consegui conter a tensão neste momento e um misto de frustação e medo tomaram conta de mim. Via a tensão estampada também na expressão do Gui, mas ele me amparou com toda sua força!

Às 19h00 a dra. Dolores veio. Começamos a indução com Misoprostol e descolamento de membranas. Doeu um pouco, eu estava tensa, não conseguia relaxar. Veio em seguida também o Thomas para uma sessão de acupuntura, para acelerar na indução. Neste momento consegui relaxar, apesar de já começar a sentir cólicas. Thomas, pessoa iluminada, serena, que transmitiu muita paz! Consegui cochilar um pouco; à 1h00 novo Miso, dessa vez com a Priscila. E assim seguimos a cada seis horas.

Dia 15 de junho, quarta-feira. Estava mais calma. Eu e o Gui tomamos café e fomos andar pelos corredores, para ajudar a engrenar. Já sentia algumas contrações, com intervalos médios de 5 em 5 minutos, mas totalmente suportáveis. Continuei andando. Após o almoço fui tomar um banho. Minha mãe e minha irmã estavam a caminho, ainda não as tinha visto após a internação. Dra. Dolores passaria somente à noite. Enquanto estava no banho, o Gui entra e fala que ela já estava lá. ‘Mas ela não passaria somente à noite’? Senti toda a tensão que tomava conta dele. Saí do banho e a expressão dela também não era tão ‘boa’. Havia sido confirmada síndrome de HELLP parcial! O parto teria que ser induzido de forma mais rápida. Exame de toque, 5cm de dilatação. A Priscila também chegou… conversamos… eu chorei, fui ouvida, acolhida e acalmada. Por volta das 16h00 descemos para o pré-parto. Só consegui ver minha mãe e minha irmã chegando, não tive tempo de conversar com elas…

Já na sala de pré-parto iniciamos o uso da ocitocina (não queria, mas foi bem devagar e não senti diferença em relação à intensidade das contrações, somente que elas ficaram mais ritmadas). Chegou a Lucia. Apesar da tensão do momento, conversamos bastante, fiquei na bola, andamos pelos corredores, eu jantei. Fui aquecida, física e emocionalmente. Mesmo com este diagnóstico, em nenhum momento a equipe me passou tensão ou preocupação, muito pelo contrário, o que senti foi respeito, calma, acolhimento, em um ambiente com pouca luz e que tocava minha playlist, as músicas que havia escolhido para aquele momento, que eu tantas vezes já havia ouvido junto com a Catarina. A bolsa foi rompida. As contrações aumentaram um pouco. Tudo estava correndo bem, mas eu não estava totalmente entregue… havia muita expectativa e preocupação com o andamento do parto (apesar de estar sendo muito bem monitorada pela equipe, o medo do que poderia acontecer nesta situação não me deixava), o pensamento na família que aguardava e estava tensa… pedi ao Gui que fosse conversar com eles e os tranquilizasse, que contasse sobre a ida para a UTI após o parto para monitoração, que era o procedimento por conta do diagnóstico.

Neste momento eu sabia que só havia dois caminhos e eu precisava fazer a escolha: estava entre a luz e a sombra… precisava fazer a travessia! E eu atravessei, sintonizei, fiz a conexão com meu corpo e com minha bebê, aceitei e acolhi aquele parto que não era o que eu havia idealizado, mas era o MEU parto real, o parto que traria minha pequena para mim… as ondas foram crescendo, chegavam e iam embora, mas de forma muito mais intensa. Chuveiro quente, bola, vocalizações, massagens, ‘aperta o quadril’!!! (como aliviava) … todos envolvidos. Passei a não querer mais conversar, olhos fechados; não prestava mais atenção em quem estava na sala, não lembro ao certo em que momento o Gui retornou e nem quando o restante da equipe entrou (dra. Luciana, GO auxiliar e dr. André, anestesista. Eles foram necessários caso o parto não evoluísse bem e fosse necessária uma cesárea). Apesar de ter uma equipe grande dentro de uma sala pequena, não lembro deles conversando, a não ser quando eu falava algo e me respondiam. Respeito àquele momento… silêncio… Eu estava na Partolândia e, a partir daí, tenho ‘flashes’ do que aconteceu. Lembro de quando iniciou a sulfatação, pois ficar ligada à ocitocina e ao sulfato não foi nada agradável!

As contrações já estavam muito intensas… apesar do Gui e mais alguém (não consigo lembrar quem) continuarem a apertar meu quadril, já não aliviava tanto a dor. Dói? Sim, e muito! Mas não tenho lembrança da dor como sofrimento. Solicitei analgesia, acho que umas duas vezes… a Lucia e o Gui me fortaleceram neste momento, dizendo que eu era forte e que não seria necessário (eu sabia que poderia atrapalhar a evolução do TP)… novo toque e… 9,5 cm! Dilatação quase total! Nada de analgesia.

Fomos para a sala de parto e lembro de algumas enfermeiras sorrirem para mim neste trajeto.

Chegando lá, fui para a banqueta de parto. O Gui me apoiava atrás. A dor mudou… era como algo abrindo em meu corpo. Ficar na banqueta não estava confortável. A dra. Dolores sugeriu ficar de cócoras, mas foi bem pior. Voltei para a banqueta. Os puxos. Desconcentrei e comecei a fazer força antes da hora. Estava extremamente exausta e lembro do dr. André colocar o oxigênio em mim… ‘isto vai te ajudar’. De fato melhorou. Puxos, força… Catarina coroou. Mas mesmo após algumas forças, ela não passava. Mais puxos, mais força, tudo se abrindo… e eu senti o círculo de fogo. Mas a cabeça não passava (eu havia iniciado as massagens perineais e o uso do Epi-no há duas semanas, mas acabei tendo uma irritação e foi necessário parar por alguns dias). Nova avaliação da Catarina com o sonar: não ouvi seus batimentos e isso me desesperou (não lembro de colocarem o cardiotoco, mas o Gui disse que colocaram e que dava sim para ouvir os batimentos. Depois fiquei sabendo que na verdade só havia diminuído a frequência). Pela primeira vez senti a dra. Dolores ser dura: ‘Angela, ela precisa nascer agora’! O medo tomou conta de mim e comecei a fazer a maior força possível. Foi necessário o uso do vácuo para auxiliar no expulsivo. Mais uma força, vi o rostinho da minha pequena, olhos abertos, uma circular de cordão…e em mais uma força ela estava nos meus braços: 23h07 do dia 15 de junho de 2016, com 36 semanas de IG, 3.135 grs, 49,5 cm. Minha bonequinha de leite! Linda, coberta pelo vernix, olhos grandes, covinhas e um cheiro que inebriava, que cheiro maravilhoso, impossível descrever! Catarina nasceu! Eu e o Gui parimos e renascemos: pais!!! Ficamos nós três abraçados: eu, Catarina e Gui… agora somos uma família! Momento único, sagrado, sublime…

Pergunto se está tudo bem com a pequena. Dra. Vania está presente, a vejo pela primeira vez (não sei em que momento ela entrou), e sim, estava.

Vou para a maca, havia um sangramento considerável. Mais algumas contrações e a placenta dequitou. Dra. Dolores avalia e nenhuma laceração. Ainda estou em êxtase! Consegui! Catarina está conosco; não quis mamar, ficou por um tempo aninhada em meu colo. O papai cortou o cordão após parar de pulsar e a pegou no colo. Ele também estava extasiado, inebriado. Em seguida nossa bebê é avaliada. Um pequeno desconforto respiratório, APGAR 9-10. E os únicos procedimentos realizados foram os de fato necessários, sem violência obstétrica, sem violência neonatal. Catarina não foi aspirada, não recebeu colírio de nitrato de prata. Foi respeitada na sua chegada a este mundo!

Não havia mais dor, mas estava exausta e com fome. A querida Priscila me trouxe um suco. Apresentei alguns tremores que não conseguia controlar (creio que por ter perdido muito sangue). Fui bem aquecida.

Era hora de ir para UTI. Teria que me separar da Catarina (ela iria para semi-intensiva neonatal – procedimento por eu estar na UTI). Sensação estranha de ter parido, mas não ter minha bebê por perto… durante a madrugada dormi e acordei diversas vezes com flashes do parto. Foi tudo muito intenso e rápido, acho que ainda estava processando tudo que havia acontecido!!! Durante o período que estivemos na UTI, o Gui revezava entre uma UTI e outra, para ficar com nós duas.

Após 30h de UTI, voltei para o quarto e agora poderia ter minha pequena comigo! Fui até a UTI neonatal, peguei a Catarina e pela primeira vez a amamentei. Pega linda! Estar com ela nos braços, amamentando… nos entrelaçamos e éramos uma só novamente! Ela era calma, serena, encantadora! Mas Catarina só poderia ir para o quarto conosco no dia seguinte, pois teria que fazer fototerapia.

Dia 18 de junho, sábado pela manhã: finalmente estávamos juntos eu, Gui e Catarina. Enfim, toda a tensão e preocupação haviam acabado. Estávamos grudadinhos e não desgrudamos nunca mais!

 

Deus, obrigada por me permitir vivenciar a experiência de ‘ser mãe’ e por ter passado por esse diagnóstico sem nenhuma complicação. Obrigada por me fazer compreender que nada está em nossas mãos e, que nem sempre o ideal é o melhor para nós. Meu parto real foi intenso e transformador, como eu jamais poderia imaginar.

Agradeço ao Guilherme, meu marido, amigo, companheiro e apoiador incondicional! Obrigada por entender, respeitar e me apoiar em minha escolha. Por ter vivenciado a gestação de forma tão intensa comigo, participando de tudo! Obrigada por parir comigo! Você foi fundamental e simplesmente fantástico em todos os momentos! Todo este processo só fortaleceu mais nossa relação e fez crescer ainda mais meu amor, respeito e admiração pelo homem que você é e pelo pai que se tornou! Amo muito você!

Agradeço às nossas famílias, sempre presentes e nos apoiando! Catarina é de fato muito sortuda pelas famílias que tem!

Toda minha gratidão, amor e respeito à nossa equipe! Vocês foram sensacionais!!! Exerceram todo seu profissionalismo com leveza, me tranquilizaram e me mostraram que eu era forte e capaz.

– Dra. Dolores, nossa GO linda: obrigada por ser tão doce e forte ao mesmo tempo. Por me ouvir e estar sempre disposta a esclarecer minhas dúvidas;

– Lucia, nossa doula: sua sensibilidade e seu carinho foram essenciais;.

– Priscila, nossa parteira/obstetriz: obrigada pelo cuidado e serenidade;

– Dra. Vania, nossa pediatra querida: toda minha gratidão por receber minha pequena com tanto respeito, cuidado e carinho.

Paula, minha irmã amada, obrigada por me ouvir tantas vezes e me apoiar.

Mônica e Ludimila, muito obrigada por tantas conversas, por me ouvirem, por me alertarem e por me ajudarem a percorrer esta caminhada rumo ao meu parto. Serei eternamente grata a vocês!!!

Às queridas Flavia e Renata, instrutoras de ioga para gestante. Vocês foram fundamentais para meu processo de conexão com meu corpo e com minha bebê e para que eu me tornasse uma pessoa mais calma e centrada.

Aos profissionais da Casa Moara e do GAMA meu muito obrigada pelo lindo trabalho dos encontros de gestantes que a cada semana contribuia para nosso empoderamento na busca pelo parto humanizado.

Aos profissionais da Maternidade São Luiz Itaim, obrigada por todo o carinho, respeito e dedicação com que fui tratada, desde minha entrada até minha alta.

Enfim, Catarina, minha filhota linda. Obrigada por me ensinar a cada dia o verdadeiro significado da palavra amor, por me ensinar a ser mãe. Acordar com seu sorriso e sentir seu cheiro todos os dias é a melhor sensação do mundo! Você torna tudo mais leve e intenso.

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