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Relato de Parto JB

Postado por admin em 25/abr/2017 - Sem Comentários

*** Comemorando o fim da extereogestação de uma bebê muito fofa, segue o relato de parto escrito pela mãe dela dias depois que ela nasceu <3  =)  <3

 

Foi no dia em que completei 38 semanas de gestação que a minha bolsa estourou. Na verdade, foi de madrugada, perto da meia-noite. Estava dormindo e percebi imediatamente que a bolsa havia estourado, pois saiu muita água. Contei, no mesmo momento, o que havia acontecido no grupo de whatsapp que havíamos criado para o acompanhamento do meu parto. Nele estavam eu, o meu companheiro Rafael, a Dra. Desireé Encinas, as enfermeiras Beatriz Kesselring e Visiane Batista, e a doula Lucia Junqueira. Escrevi para o grupo e a Lucia me respondeu fazendo as perguntas necessárias para aquele momento. Como as contrações não haviam começado e a água estava incolor, ela me orientou a voltar a dormir, o que eu fiz tranquilamente, pois sabia que o dia seguinte poderia ser longo e cansativo. Consegui ficar tranquila, pois estava muito bem informada devido às conversas que havia tido durante as consultas tanto com a Dra. Desireé como com a Beatriz e com a Lucia. Eu sabia que não havia por que me desesperar e, se eu realmente queria ter um parto natural, somente com as intervenções médicas necessárias, deveria seguir o seu conselho.

Eu e meu companheiro dormimos até as 7h da manhã. Acordei um pouco ansiosa e liguei para a Dra. Desireé, que me orientou a fazer uma caminhada para estimular as contrações, que ainda não haviam iniciado. Decidimos preparar a mala para a maternidade e então saímos para caminhar. Fizemos uma caminhada gostosa, em que pude ligar para amigas e irmãos. Passamos no mercado para comprar comidas especiais para o parto e para o pós-parto. As contrações realmente começaram durante o passeio, mas ainda eram bem leves. A Visiane veio na minha casa por volta da hora do almoço. Tivemos uma conversa gostosa enquanto eu almoçava e, então, ela avaliou como estava o andamento do trabalho de parto. Ali fizemos o primeiro exame de toque, que foi muito cuidadoso, como todos os seguintes. Naquele momento, eu ainda estava com 1 centímetro de dilatação, mas a boa notícia era que o colo do meu útero já havia afinado bastante, o que ajudaria no processo. A Dra. Desirée também havia me orientado a fazer uma sessão de acupuntura. Gostei da sugestão e consegui agendar uma sessão na minha casa às 14h. A acupuntura parece ter acelerado as contrações e posso dizer que foi uma ótima ideia ter feito essa terapia alternativa, em vez de ter que encarar uma indução com ocitocina ou outra forma de indução. Assim que a sessão terminou, fomos ao Hospital São Luiz. O trajeto foi um pouco difícil, pois as contrações já estavam fortes e a dor é pior quando estamos sentadas. A sorte é que era um sábado e não pegamos muito trânsito.

Quando chegamos ao hospital, a Dra. Desireé já estava me esperando. Ela me acompanhou tanto na recepção, quando tive que responder a perguntas como “Qual é a sua religião?” e “Qual é o seu grau de escolaridade?”, como nos procedimentos médicos protocolares, como a cardiotocografia e o exame de toque. Na verdade, foi ela quem realizou esses exames, o que me deixou bem mais tranquila, pois há relatos de que as enfermeiras do hospital nem sempre os fazem com a gentileza devida. Foi ali também que recebi o antibiótico na veia, pois já haviam passado mais de 16 horas que a minha bolsa havia estourado e esse é um procedimento para evitar que o bebê tenha alguma infecção. No momento do toque, foi aquela surpresa, pois já estava com 7 cm de dilatação. Foi nesse momento que decidi que não chamaria o anestesista, pois o andamento do trabalho de parto estava indo muito bem e eu não queria que a analgesia desacelerasse o processo, nem queria que minha filha sofresse com seus efeitos colaterais. Foi uma decisão muito importante para mim, pois eu sempre tive muito medo da dor do parto. Durante a gestação, li bastante sobre partos. Racionalmente, eu não queria que houvesse a analgesia, mas eu tinha medo e achava que não suportaria a dor. Foi muito bom saber que eu podia suportá-la e isso fez eu me reconhecer como uma mulher mais forte do que imaginava ser.

Fomos à sala de pré-parto, onde fiquei sentada numa bola de pilates e com a água do chuveiro caindo nas costas, o que alivia muito as dores das contrações. Mas ficamos pouco tempo ali. Para a minha alegria uma das salas de parto humanizado ou de “delivery”, como se diz no hospital, ficou disponível e pudemos ir para lá. A Visiane chegou ainda quando estávamos no pré-parto e a Lucia, logo depois, no “delivery”.
Já bem acomodadas e com a equipe completa, agora eu precisava me concentrar para a chegada da nossa Teresa. Não sei dizer exatamente a que horas chegamos no “delivery”, mas posso dizer que pude respeitar o ritmo do meu corpo e da minha filha. As contrações iam ficando cada vez mais frequentes e eu ia experimentado posições que me faziam sentir menos dor. A Lucia me ajudava, sugerindo posições e falando palavras que me faziam relaxar. Ela ajudava também o Rafael, deixando-o mais tranquilo e orientando-o. A Visiane colocou uma trilha sonora gostosa. A Dra Desireé sempre analisando e coordenando tudo com muito cuidado. Entre as contrações, conversávamos sobre alimentação, astrologia, filosofia; eu comia, bebia, me recarregava.
O momento mais difícil foi para passar dos 9 cm para os 10 cm de dilatação. As contrações já estavam bastante intensas e eu estava bastante cansada. Comecei a ficar tensa e o processo demorou bastante nessa etapa, acredito que durou aproximadamente 3 horas. A participação de meu marido foi muito importante em todo o parto, mas nesse final ele foi literalmente como um porto seguro, em que eu me ancorava para suportar a dor. Ficamos, eu e ele, um tempo na banheira a sós, para que pudéssemos conversar e relembrar de nossa história. Depois disso, Teresa não demorou muito mais a chegar. Na fase final, o expulsivo, fui para o banco de parto. Acho que ela chegou em 30 minutos e o círculo de fogo doeu muito menos do que eu imaginava. A equipe toda me ajudou a encontrar a melhor posição e me orientou em como fazer a força necessária e em como gritar. Aliás, gritei como nunca imaginei ser capaz e isso me ajudou a fazer força.

Lembro de quando senti a cabeça da minha filha pela primeira vez. Foi inacreditável! Teresa chegou às 21h21 do dia 21 de janeiro. Assim que nasceu, ela veio para o meu colo. Eu chorava e ria ao mesmo tempo. O nascimento é como um milagre, algo inexplicável. Ela ainda ficou um tempo ligada a mim pelo cordão umbilical, para que pudesse aprender a respirar com seu pulmão. O pediatra, Dr. Ricardo Coutinho, a analisou, viu que estava tudo bem. Em seguida fui para a cama com ela, para que ela pudesse mamar. Foi impressionante a rapidez com que ela pegou o meu peito e a força com que ela o sugou. Ficamos ali por aproximadamente 2 horas. Eu levei dois pontos e o Dr. Ricardo ficou cuidando da nossa filha ali mesmo, ao nosso lado.

Fiquei muito feliz por ter tido nossa filha de uma forma tão linda, com pessoas tão respeitosas e que têm amor pelo que fazem. A confiança que tive na equipe foi essencial para poder me entregar a este tão momento importante em nossas vidas. Digo que elas foram feiticeiras que me ajudaram a relaxar e a me fortalecer. Ainda hoje, quando estou com alguma dificuldade para entender a minha bebê ou quando estou esgotada fisicamente, me lembro desse momento tão intenso que a foi a chegada dela e de como todos foram essenciais para que isso acontecesse. Toda a equipe entrou para nossa história, tem um lugar especial em nossa família. Sou muita grata a elas.

 

 

Histórias e relato de parto de um pai

Postado por admin em 03/fev/2017 - Sem Comentários

Tive o prazer de conhecer mais uma família linda recentemente e acompanhá-los na jornada especial da gestação e parto… o casal me tocou profundamente por vários detalhes que não consigo explicar, mas sei que era muito gostoso estar com eles, saber deles, receber notícias e participar… o lindo plano de parto (baseado nas nossas conversas, mas definitivamente, o que mais chegou perto do essencial), um poema lindo sobre a espera do bebê como lembrancinha de nascimento, um sotaque gostoso, uma história bonita demais e… e um blog que o pai decidiu fazer para contar ao filho as histórias da família que ele escolheu lá do céu… uma lagriminha de emoção ao saber que a mãe do pai (avó do bebê Miguel) ficou viúva quando estava grávida deste homem, que não teve a oportunidade de saber do mundo aos olhos de seu pai… e então decidiu registrar para o filho, desde já, tudo o que via com seu coração…

“Só” isso já era o suficiente para eu querer ler o blog todo e compartilhar com todo mundo a ideia deste carinho e cuidado tão lindo e declarado… mas aí, veio mais um estímulo: o pai escreveu sobre o parto… e sobre sua mulher guerreira parindo… e ficou lindo!! Segue o link deste blog (e relato de parto) inspirador para quem quiser conferir:

A chegada

Muito obrigada família linda! <3

Relato de Parto Angela – Ideal X Real

Postado por admin em 05/out/2016 - Sem Comentários

Minha história com o parto começa com a história do meu próprio nascimento: um parto normal (PN) induzido antes do momento, pois senão “passaria da hora”, com uso de fórceps que me causou hematomas e muita violência obstétrica. Sempre ouvi os relatos da minha mãe sobre o quanto foi difícil e traumática a forma como nasci e isso me causava arrepios! E fui crescendo com certo pavor de gravidez e, principalmente de parto! Quatorze anos após meu nascimento, minha mãe pariu minha irmã (dessa vez, mais experiente, só foi para a maternidade quando as contrações estavam mais próximas e intensas. Outro ‘PN’, com intervenções desnecessárias e violência obstétrica, mas um pouco menos traumático). Vi uma episiotomia…com certeza desnecessária… A referência que se tinha de um PN era de sofrimento, intervenções agressivas e desnecessárias, e pouco ou nenhum poder sobre o parto por parte da mulher. Este era e, infelizmente ainda é, em muitos hospitais, o sistema de saúde oferecido ao dito ‘PN’!!

Tudo isso só me fazia ter mais receio (na verdade, quase pavor, de engravidar e passar pelo parto). E assim o tempo foi passando… até que um dia, li o lindo e forte relato de parto da Cecília (filha de uma amiga, a Ludimila) e ‘comecei a sair da caixinha’… começava ali, há cerca de cinco anos, uma visão diferente do parto! Podia ser de outra forma!!

Conheci o Guilherme, meu marido. Noivamos, casamos e, um dia falando sobre filhos, procurei o tal relato de parto e dei para ele ler. ‘É isso que eu quero para mim, um parto com respeito’! Ele, também da área da saúde, já tendo acompanhado os dois tipos de parto (normal e cesárea), concordou.

Logo após nosso casamento, tive uma suspeita de trombose e fiz toda a pesquisa para trombofilia. Tudo ok, somente uma mutação genética (metilenotetrahidrofolato redutase – MTHFR) em heterozigoze, uma variante da normalidade, já que muitas mulheres brasileiras apresentam. Conversei com meu GO (fofinho) da época sobre a intenção de engravidar e após alguns exames e introdução de ácido fólico e vitaminas, estava liberada!

Começamos a tentar em outubro do ano passado. O Guilherme jurava que eu já havia engravidado naquele mesmo mês, mas eu dizia que não, que não era tão fácil assim! ‘É meu corpo, você acha que eu não saberia’? Mas de tanto ele insistir que eu já estava grávida, comprei um teste de farmácia (mesmo antes da menstruação atrasar!) e fiz para provar que não estava! Dia 30 de outubro de 2015, sexta-feira à tarde, estávamos em casa… fiz o teste só para provar que… dois risquinhos!!! Como assim? Não conseguia sair do lugar! Todos os temores reapareceram ali, naquele momento! Não sei definir ao certo os sentimentos, pois foi um misto de medo, alegria, surpresa… Pensei em uma menina assim que vi o ‘positivo’, mas logo a sensação passou. Ainda não acreditava muito naquele teste e então fiz o exame de sangue: POSITIVO!!! Assim, descobri minha gestação com apenas três semanas!!! E neste momento começou toda a busca pelo ‘meu parto’. Eu queria mudar aquela história da família, eu precisava mudar minha visão de que parto significava sofrimento! E assim mergulhei de cabeça na busca pelo MEU parto. Queria não somente um PN. Queria mais que isso: um parto respeitoso, um parto humanizado e, acima de tudo, um parto que fosse o melhor para minha bebê, que ela chegasse a esse mundo da forma mais tranquila e respeitosa possível. Mas estava longe do tal empoderamento que nos é tão necessário neste momento da vida, afinal não temos um sistema de saúde que nos proporcione isso, muito pelo contrário!

Primeira consulta com meu GO… e ele disse que faria um PN. ‘Nossa, que bom! Um médico do convênio que fazia PN’! Primeiro trimestre, muitooooo enjoo, muitoooo sono, barriga crescendo… As consultas foram acontecendo até que, numa das conversas com as queridas Mônica e Ludimila, elas me alertaram sobre algumas perguntas ‘interessantes’ para se fazer ao médico. E eis que percebo que o tal GO (fofinho) era de fato um cesarista!

Em nossa última consulta com o tal GO, lá pela 24ª semana de gestação, eis que ele me pergunta: ‘você ainda pensa em ter PN? É melhor uma cesárea que você vai arrumada para o hospital, não vai sofrer… e além do que, se você entrar em TP e eu estiver no consultório, não vou poder parar minhas consultas’! Saí do consultório sem acreditar no que eu tinha ouvido! O Guilherme, que me acompanhava em todas as consultas, também não.

Não critico a cesárea em si (mas continuo com pavor de uma!). É uma cirurgia que salva vidas quando bem indicada! Só não aceito esse sistema que impõe uma de forma eletiva, fria, sem nenhuma indicação, sem esclarecimentos! Esse sistema violento, que não acolhe, que não respeita a mulher. Não, não era isso que queria para mim. ‘Uma vez fora da caixinha, jamais de volta a ela’!

Apesar do Gui querer e entender o PN, senti que ele não estava 100% seguro. Após uma longa conversa no feriado do carnaval, assistimos o documentário ‘O Renascimento do Parto’ e ele adentrou comigo o mundo do PN humanizado. Pronto, eu tinha o apoio que precisava!

Já tinha indicação de alguns GO´s humanizados e foi assim que cheguei a uma consulta com a dra. Dolores Nishimura, com 26 semanas de gestação. Amor à primeira vista! Era ela, seria ela! Saí da consulta aliviada, calma, assim como o Gui. A partir daí a equipe foi formada (as queridas Lucia Junqueira (nossa doula), Priscila Raspantini (nossa parteira/obstetriz) e a dra. Vania Medeiros (nossa neonatologista, que acabei conhecendo somente na hora do parto! Rs…). A cada encontro, muita informação, muito respeito, muito carinho. Pronto! Equipe formada! Seria um parto hospitalar (não estava pronta para assumir um parto domiciliar, não o primeiro parto).

Nessa época já estávamos mergulhados no mundo da humanização! Fizemos yoga para gestante (isso mesmo, fizemos eu e o Gui, com a querida Flavia, do espaço Nascer Feliz. Eu, que sempre fui ansiosa, ligada no 220, precisava me encontrar neste momento, precisava me conectar com minha bebê, focar). Devoramos relatos de parto, artigos, livros e vídeos; fizemos cursos e fomos aos encontros de gestantes (ah, como eu adorava os encontros e as discussões de ‘barrigudinhas’ da Casa Moara e do GAMA!!!). Não importava o cansaço após um longo dia de trabalho, esses encontros me renovavam, me davam mais forças para seguir naquilo que eu acreditava e queria para a chegada da minha pequena!!!

E assim as semanas foram passando, gestação super tranquila, sem intercorrências. A DPP era 11 de julho. Preparamos a playlist do parto e eu a escutava quase que todos os dias. Eu e o Gui discutimos várias vezes nosso Plano de Parto, mas não chegamos a escrevê-lo.

Dia 13 de junho, segunda-feira, 36 semanas. Por volta das 22h00 peguei pela internet os resultados de alguns exames e, para minha surpresa, três deles bem alterados. Dois eu sabia que estavam relacionados às enzimas hepáticas (já tinha lido algo sobre). Algo estava errado. Era tarde e achei melhor falar com a GO no dia seguinte pela manhã. Praticamente não dormi durante a noite (além da posição já não ajudar e do refluxo que vinha me acompanhando há alguns dias, aqueles exames alterados me preocupavam).

Dia 14 de junho, terça-feira. Tinha paciente às 7h45. Logo em seguida enviei os resultados para dra. Dolores e de pronto recebi uma resposta que me desestabilizou: ‘vá para o PS avaliar pré-eclâmpsia e a vitalidade da bebê’. Como assim? Estava tudo certinho, tudo redondo até então: exames, PA… não apresentava nenhum sintoma… Subi e chamei o Gui (trabalhamos juntos) e fomos de imediato para o São Luiz. Chegando lá, fui logo atendida. Catarina ótima! Batimentos, peso estimado, movimentação, ILA! Repeti os exames. PA normal, mas os exames alterados estavam com valores mais alterados ainda! O plantonista entrou em contato com a dra. Dolores e decidiu-se pela internação e provavelmente indução do parto. Suspeita de síndrome de HELLP. Não consegui conter a tensão neste momento e um misto de frustação e medo tomaram conta de mim. Via a tensão estampada também na expressão do Gui, mas ele me amparou com toda sua força!

Às 19h00 a dra. Dolores veio. Começamos a indução com Misoprostol e descolamento de membranas. Doeu um pouco, eu estava tensa, não conseguia relaxar. Veio em seguida também o Thomas para uma sessão de acupuntura, para acelerar na indução. Neste momento consegui relaxar, apesar de já começar a sentir cólicas. Thomas, pessoa iluminada, serena, que transmitiu muita paz! Consegui cochilar um pouco; à 1h00 novo Miso, dessa vez com a Priscila. E assim seguimos a cada seis horas.

Dia 15 de junho, quarta-feira. Estava mais calma. Eu e o Gui tomamos café e fomos andar pelos corredores, para ajudar a engrenar. Já sentia algumas contrações, com intervalos médios de 5 em 5 minutos, mas totalmente suportáveis. Continuei andando. Após o almoço fui tomar um banho. Minha mãe e minha irmã estavam a caminho, ainda não as tinha visto após a internação. Dra. Dolores passaria somente à noite. Enquanto estava no banho, o Gui entra e fala que ela já estava lá. ‘Mas ela não passaria somente à noite’? Senti toda a tensão que tomava conta dele. Saí do banho e a expressão dela também não era tão ‘boa’. Havia sido confirmada síndrome de HELLP parcial! O parto teria que ser induzido de forma mais rápida. Exame de toque, 5cm de dilatação. A Priscila também chegou… conversamos… eu chorei, fui ouvida, acolhida e acalmada. Por volta das 16h00 descemos para o pré-parto. Só consegui ver minha mãe e minha irmã chegando, não tive tempo de conversar com elas…

Já na sala de pré-parto iniciamos o uso da ocitocina (não queria, mas foi bem devagar e não senti diferença em relação à intensidade das contrações, somente que elas ficaram mais ritmadas). Chegou a Lucia. Apesar da tensão do momento, conversamos bastante, fiquei na bola, andamos pelos corredores, eu jantei. Fui aquecida, física e emocionalmente. Mesmo com este diagnóstico, em nenhum momento a equipe me passou tensão ou preocupação, muito pelo contrário, o que senti foi respeito, calma, acolhimento, em um ambiente com pouca luz e que tocava minha playlist, as músicas que havia escolhido para aquele momento, que eu tantas vezes já havia ouvido junto com a Catarina. A bolsa foi rompida. As contrações aumentaram um pouco. Tudo estava correndo bem, mas eu não estava totalmente entregue… havia muita expectativa e preocupação com o andamento do parto (apesar de estar sendo muito bem monitorada pela equipe, o medo do que poderia acontecer nesta situação não me deixava), o pensamento na família que aguardava e estava tensa… pedi ao Gui que fosse conversar com eles e os tranquilizasse, que contasse sobre a ida para a UTI após o parto para monitoração, que era o procedimento por conta do diagnóstico.

Neste momento eu sabia que só havia dois caminhos e eu precisava fazer a escolha: estava entre a luz e a sombra… precisava fazer a travessia! E eu atravessei, sintonizei, fiz a conexão com meu corpo e com minha bebê, aceitei e acolhi aquele parto que não era o que eu havia idealizado, mas era o MEU parto real, o parto que traria minha pequena para mim… as ondas foram crescendo, chegavam e iam embora, mas de forma muito mais intensa. Chuveiro quente, bola, vocalizações, massagens, ‘aperta o quadril’!!! (como aliviava) … todos envolvidos. Passei a não querer mais conversar, olhos fechados; não prestava mais atenção em quem estava na sala, não lembro ao certo em que momento o Gui retornou e nem quando o restante da equipe entrou (dra. Luciana, GO auxiliar e dr. André, anestesista. Eles foram necessários caso o parto não evoluísse bem e fosse necessária uma cesárea). Apesar de ter uma equipe grande dentro de uma sala pequena, não lembro deles conversando, a não ser quando eu falava algo e me respondiam. Respeito àquele momento… silêncio… Eu estava na Partolândia e, a partir daí, tenho ‘flashes’ do que aconteceu. Lembro de quando iniciou a sulfatação, pois ficar ligada à ocitocina e ao sulfato não foi nada agradável!

As contrações já estavam muito intensas… apesar do Gui e mais alguém (não consigo lembrar quem) continuarem a apertar meu quadril, já não aliviava tanto a dor. Dói? Sim, e muito! Mas não tenho lembrança da dor como sofrimento. Solicitei analgesia, acho que umas duas vezes… a Lucia e o Gui me fortaleceram neste momento, dizendo que eu era forte e que não seria necessário (eu sabia que poderia atrapalhar a evolução do TP)… novo toque e… 9,5 cm! Dilatação quase total! Nada de analgesia.

Fomos para a sala de parto e lembro de algumas enfermeiras sorrirem para mim neste trajeto.

Chegando lá, fui para a banqueta de parto. O Gui me apoiava atrás. A dor mudou… era como algo abrindo em meu corpo. Ficar na banqueta não estava confortável. A dra. Dolores sugeriu ficar de cócoras, mas foi bem pior. Voltei para a banqueta. Os puxos. Desconcentrei e comecei a fazer força antes da hora. Estava extremamente exausta e lembro do dr. André colocar o oxigênio em mim… ‘isto vai te ajudar’. De fato melhorou. Puxos, força… Catarina coroou. Mas mesmo após algumas forças, ela não passava. Mais puxos, mais força, tudo se abrindo… e eu senti o círculo de fogo. Mas a cabeça não passava (eu havia iniciado as massagens perineais e o uso do Epi-no há duas semanas, mas acabei tendo uma irritação e foi necessário parar por alguns dias). Nova avaliação da Catarina com o sonar: não ouvi seus batimentos e isso me desesperou (não lembro de colocarem o cardiotoco, mas o Gui disse que colocaram e que dava sim para ouvir os batimentos. Depois fiquei sabendo que na verdade só havia diminuído a frequência). Pela primeira vez senti a dra. Dolores ser dura: ‘Angela, ela precisa nascer agora’! O medo tomou conta de mim e comecei a fazer a maior força possível. Foi necessário o uso do vácuo para auxiliar no expulsivo. Mais uma força, vi o rostinho da minha pequena, olhos abertos, uma circular de cordão…e em mais uma força ela estava nos meus braços: 23h07 do dia 15 de junho de 2016, com 36 semanas de IG, 3.135 grs, 49,5 cm. Minha bonequinha de leite! Linda, coberta pelo vernix, olhos grandes, covinhas e um cheiro que inebriava, que cheiro maravilhoso, impossível descrever! Catarina nasceu! Eu e o Gui parimos e renascemos: pais!!! Ficamos nós três abraçados: eu, Catarina e Gui… agora somos uma família! Momento único, sagrado, sublime…

Pergunto se está tudo bem com a pequena. Dra. Vania está presente, a vejo pela primeira vez (não sei em que momento ela entrou), e sim, estava.

Vou para a maca, havia um sangramento considerável. Mais algumas contrações e a placenta dequitou. Dra. Dolores avalia e nenhuma laceração. Ainda estou em êxtase! Consegui! Catarina está conosco; não quis mamar, ficou por um tempo aninhada em meu colo. O papai cortou o cordão após parar de pulsar e a pegou no colo. Ele também estava extasiado, inebriado. Em seguida nossa bebê é avaliada. Um pequeno desconforto respiratório, APGAR 9-10. E os únicos procedimentos realizados foram os de fato necessários, sem violência obstétrica, sem violência neonatal. Catarina não foi aspirada, não recebeu colírio de nitrato de prata. Foi respeitada na sua chegada a este mundo!

Não havia mais dor, mas estava exausta e com fome. A querida Priscila me trouxe um suco. Apresentei alguns tremores que não conseguia controlar (creio que por ter perdido muito sangue). Fui bem aquecida.

Era hora de ir para UTI. Teria que me separar da Catarina (ela iria para semi-intensiva neonatal – procedimento por eu estar na UTI). Sensação estranha de ter parido, mas não ter minha bebê por perto… durante a madrugada dormi e acordei diversas vezes com flashes do parto. Foi tudo muito intenso e rápido, acho que ainda estava processando tudo que havia acontecido!!! Durante o período que estivemos na UTI, o Gui revezava entre uma UTI e outra, para ficar com nós duas.

Após 30h de UTI, voltei para o quarto e agora poderia ter minha pequena comigo! Fui até a UTI neonatal, peguei a Catarina e pela primeira vez a amamentei. Pega linda! Estar com ela nos braços, amamentando… nos entrelaçamos e éramos uma só novamente! Ela era calma, serena, encantadora! Mas Catarina só poderia ir para o quarto conosco no dia seguinte, pois teria que fazer fototerapia.

Dia 18 de junho, sábado pela manhã: finalmente estávamos juntos eu, Gui e Catarina. Enfim, toda a tensão e preocupação haviam acabado. Estávamos grudadinhos e não desgrudamos nunca mais!

 

Deus, obrigada por me permitir vivenciar a experiência de ‘ser mãe’ e por ter passado por esse diagnóstico sem nenhuma complicação. Obrigada por me fazer compreender que nada está em nossas mãos e, que nem sempre o ideal é o melhor para nós. Meu parto real foi intenso e transformador, como eu jamais poderia imaginar.

Agradeço ao Guilherme, meu marido, amigo, companheiro e apoiador incondicional! Obrigada por entender, respeitar e me apoiar em minha escolha. Por ter vivenciado a gestação de forma tão intensa comigo, participando de tudo! Obrigada por parir comigo! Você foi fundamental e simplesmente fantástico em todos os momentos! Todo este processo só fortaleceu mais nossa relação e fez crescer ainda mais meu amor, respeito e admiração pelo homem que você é e pelo pai que se tornou! Amo muito você!

Agradeço às nossas famílias, sempre presentes e nos apoiando! Catarina é de fato muito sortuda pelas famílias que tem!

Toda minha gratidão, amor e respeito à nossa equipe! Vocês foram sensacionais!!! Exerceram todo seu profissionalismo com leveza, me tranquilizaram e me mostraram que eu era forte e capaz.

– Dra. Dolores, nossa GO linda: obrigada por ser tão doce e forte ao mesmo tempo. Por me ouvir e estar sempre disposta a esclarecer minhas dúvidas;

– Lucia, nossa doula: sua sensibilidade e seu carinho foram essenciais;.

– Priscila, nossa parteira/obstetriz: obrigada pelo cuidado e serenidade;

– Dra. Vania, nossa pediatra querida: toda minha gratidão por receber minha pequena com tanto respeito, cuidado e carinho.

Paula, minha irmã amada, obrigada por me ouvir tantas vezes e me apoiar.

Mônica e Ludimila, muito obrigada por tantas conversas, por me ouvirem, por me alertarem e por me ajudarem a percorrer esta caminhada rumo ao meu parto. Serei eternamente grata a vocês!!!

Às queridas Flavia e Renata, instrutoras de ioga para gestante. Vocês foram fundamentais para meu processo de conexão com meu corpo e com minha bebê e para que eu me tornasse uma pessoa mais calma e centrada.

Aos profissionais da Casa Moara e do GAMA meu muito obrigada pelo lindo trabalho dos encontros de gestantes que a cada semana contribuia para nosso empoderamento na busca pelo parto humanizado.

Aos profissionais da Maternidade São Luiz Itaim, obrigada por todo o carinho, respeito e dedicação com que fui tratada, desde minha entrada até minha alta.

Enfim, Catarina, minha filhota linda. Obrigada por me ensinar a cada dia o verdadeiro significado da palavra amor, por me ensinar a ser mãe. Acordar com seu sorriso e sentir seu cheiro todos os dias é a melhor sensação do mundo! Você torna tudo mais leve e intenso.

Relato de Parto da Luiza

Postado por admin em 25/jul/2016 - Sem Comentários

“Hoje estava sozinha amamentando a Esther, que fechava o olhinho ao mamar enquanto eu escutava uma seleção de mantras tocando ao fundo bem baixo… Mantras da cantora Snatam Kaur, que ouvia nas aulas de yoga… A yoga que pratiquei durante a gestação a fim de me preparar emocional e espiritualmente para o parto…

Emocionada nas lembranças, me transportei pelo tempo… Voltei na madrugada do dia 11 de dezembro, quando, sozinha, por volta da 1h, senti as primeiras contrações após horas do rompimento da bolsa… Ali eu já sabia que encontraria o grande amor da minha vida em algumas horas… As contrações vinham e iam embora, assim como as ondas do mar… E assim eu encarava essas contrações, exatamente como as aulas de yoga e a minha querida doula haviam me ensinado: elas são ondas, pois vêm intensas mas quando se vão nos deixam com uma maravilhosa sensação de relaxamento…

A cada onda que chegava eu começava a imaginar a chegada da Esther, e tinha certeza que seria com tranquilidade. Por volta das 4h acordei meu marido, e dizia que a intensidade das ondas aumentava, e sentia que um tsunami estava por acontecer… Liguei para a obstetriz e a doula (abençoadas) que me ajudariam no caminho do nascimento da minha filha e do meu nascimento como mãe. A partir daí seguia suas orientações, tomei uma ducha bem quente, e sempre escutando os mantras da cantora que tanto me acalmavam…

Me conectava intensamente com a Esther a cada onda que vinha… Fechava os olhos e me imaginava no fundo do mar… Me imaginava no meio das ondas… E quando a obstetriz apontou que era hora de seguirmos para a maternidade com 6cm de dilatação, ali eu já começava a perceber a minha transformação… Eu já sentia que não estaria mais sozinha nessa jornada, e sim que se tratava de um lindo e forte trabalho em equipe: eu e a Esther, juntas pelo caminho da vida…

Cada vez mais sentia a intensidade daquele tsunami que vivia, e os mantras que eu ouvia me lembravam o quão serena eu deveria me manter… Pois o meu corpo me entregava para o meu lado mais selvagem, mais mamífero, mais animalesco… Eu me sentia uma leoa… Tinha vontade de urrar muitas vezes… E assim o fazia… Era libertador. Era transformador. Era renovador. Na banheira do hospital eu relaxava, as contrações eram cada vez mais fortes, porém este era todo o propósito do parto natural: sentir cada poro do meu corpo se dilatar, cada veia saltar, cada sangue se renovar à luz de uma nova vida que brotava. Sem remédios, sem analgesia, sem intervenções: só eu, a antiga Luiza, o novo ser, e a nova mãe. Juntas, sentindo cada vibração, cada contração, cada movimento daquele pequeno e poderoso corpo dentro do meu.

Após cerca de uma hora, eu sentia todo o movimento de descida da minha pequena, e meu corpo se transformando e se abrindo numa sensação jamais sentida… Essa máquina que nutrimos é mais poderosa do que imaginamos: conceber revela a perfeição que existe em cada articulação de nosso corpo… Eu senti a hora da chegada dela… Veio a vontade de fazer a força, e veio a sua cabecinha. Ainda respirando pelo cordão umbilical, manteve-se no ambiente mais sereno em que poderia estar: na água, assim como estava dentro há poucos segundos e por 9 meses… E no momento em que eu senti vontade, fiz uma segunda e prazerosa força, e ela veio por inteiro, pelos braços do pai e direto para o peito da mãe. Ali, da forma mais serena possível… Nascíamos juntas, a filha e a mãe… Enquanto ela sentia o calor do meu corpo, nutrindo-se do alimento mais poderoso do mundo: meu leite. Meu corpo. Minha vida para a minha pequena vida.

A decisão mais linda de minha vida foi me permitir viver este nascimento da forma mais natural possível, para levar esta sensação para o resto da minha vida”.

 

Relato de Parto escrito por Luiza,
7 meses depois desta experiência linda <3

Relato de Parto do Pai – GG

Postado por admin em 11/jul/2016 - Sem Comentários

RELATO DE PARTO NA VISÃO DO PAI
Na última segunda-feira dia 13/06/2016 completamos 36 semanas de gestação da nossa pequena Catarina. Nesta data a Angela pegou os resultados de alguns exames laboratoriais os quais deram resultados acima do limite para TGO, TGP e VHS, por ser à noite, esperamos até o dia seguinte e entramos em contato com a equipe médica. O Hematologista (que havia pedido os exames) pediu para que entrasse em contato com a Obstetra dra. Dolores Nishimura, a qual na mesma hora pediu para que fossemos até o P.S. fazer toda investigação de pré-eclampsia e a vitalidade da nenê.
Fomos o mais rápido possível para o pronto socorro da Maternidade São Luiz Itaim, fomos prontamente atendidos e a médica de plantão realizou o Cardiotoco que apresentou resultado normal para a bebê. Em seguida fomos levados para o P.S. de ginecologia e obstetrícia onde foi realizado o Ultrassom obstétrico (que nos mostrou que estava tudo bem com nossa Catarina, em posição cefálica, quantidade de líquido boa, sem nenhum sinal de sofrimento).
Angela recebeu medicação por via venosa, e colheu novos exames de sangue, para nossa surpresa, os parâmetros que já estavam aumentados, aumentaram ainda mais. Ao receber os resultados desses exames o médico nos chamou, nos informou das alterações e entrou em contato com a Obstetra que nos acompanhava, a qual orientou a internação.
Ficamos atônitos ao receber essa notícia, sem saber o que fazer, comecei a informar a família enquanto a Angela ficava cada vez mais preocupada. Por fim nos chamaram, pois, o quarto estava pronto. No fim da tarde a médica passou em visita e conversou conosco os riscos que teriam tanto pra colastase quanto para Síndrome de Hellp (ainda não tínhamos certeza deste diagnóstico). Baseado nisso começou-se a indução com uso do Mizo.
Passamos a noite bem na medida do possível, seguiram repetindo os exames e a colocação do Mizo a cada 06 horas.
Chegou a quarta-feira, para nós continuaríamos da mesma forma que passamos a terça-feira, repetindo os exames, induzindo com o Mizo e aguardando. No entanto às 14:00 horas a dra. Dolores chegou ao quarto no momento em que a Angela estava tomando banho pois sua mãe e sua irmã estavam a caminho do hospital. Porém as notícias trazidas pela médica não foram muito boas, saiu o diagnóstico e era o mais grave – Síndrome de Hellp. Por esta razão não poderíamos esperar mais tempo, teria que começar a ser mais agressivo na indução.
Para que isso pudesse acontecer aguardamos a chegada da Obstetriz Priscila (16:00h) e as 17:00h tivemos que descer para a sala de pré parto, foi nesse momento que chegaram para visita a mãe e a irmã da Angela (infelizmente conseguiram apenas vê-la já saindo do quarto).
Nesse momento que começou a nossa viagem em busca do perfeito, mesmo já tendo passado por um grande susto e algumas intercorrências, mas estávamos lá em busca do melhor e do que sonhamos em todo período da gestação.
Ao chegarmos na sala de pré parto iniciou-se a indução com uso da oxcitocina, eu tive que me trocar para acompanhar o parto, aguardamos a chegada da Doula Lucia e partir de então começamos com a indução não invasiva (exercícios com a bola, caminhada pelo corredor, banho quente para relaxar e descansar um pouco).
Após as 20:00 horas meu pai e minha tia chegaram ao hospital e foram para o quarto em que estávamos, ficaram na companhia da mãe e da irmã da Angela. Como nós sabíamos que o trabalho de parto poderia ainda se estender e como tínhamos o diagnóstico de Síndrome de Hellp, a médica já havia nos deixado conscientes de que a Angela precisaria ficar na UTI por 24 horas para ser monitorada e realizar a sulfatação para prevenir sequelas possíveis em decorrência da Síndrome de Hellp.
Fui dar a notícia para nossos familiares que estavam no quarto do hospital nos aguardando, todos ficaram aflitos, sem entender muito bem o que estava acontecendo, mas se coloram ainda mais ao nosso lado, feito isso peguei o computador da Angela que anteriormente tinha salvado diversas músicas para este momento. Ao chegar novamente na sala de pré parto continuamos com todos os procedimentos anteriores (bola, caminhada, chuveiro).
O tempo ia passando até quando a obstetra entrou novamente na sala e disse que não daria para esperar mais, continuava com 5 dedos de dilatação. Dra. Dolores fez novo exame de toque, novamente um pequeno descolamento da membrana do colo do útero e para que o processo ficasse ainda mais intenso e rápido realizou o rompimento da bolsa (sem nenhum instrumento mecânico, apenas os dedos).
Ai sim podemos dizer o que trabalho ficou INTENSO e TENSO, tudo foi muito rápido porque esse procedimento aconteceu às 22h, Angela estava deitada na maca, novamente o Cardiotoco ligado para ver como estava nossa Catarina. Neste momento mais uma vez fui ao encontro dos nossos familiares no quarto para informa-los de que poderiam voltar para casa que ainda demoraria um certo tempo e a visita estava se encerrando. Todos se encontravam aflitos e sem saber o que estava acontecendo de certo, todos voltaram para casa.
Retornei à sala de pré parto e Ângela já não era mais a mesma pessoa, estava em outro mundo, a cada contração que chegava Angela gritava na mesma intensidade da dor e isso fazia com que passasse mais rápido, a equipe estava toda na sala (a obstetra, a obstetriz, a doula, a médica assistente, o anestesista e eu). O anestesista iniciou a aplicação da sulfatação às 22:15 horas e a partir desse momento seriam 24 horas ininterruptas dessa medicação.
A cada minuto que passava a dor se fazia mais intensa, a posição já não era mais confortável de nenhum jeito, procurava fazer sempre o melhor para que ficasse o mais confortável possível mesmo em uma situação que não tínhamos o controle absoluto, até o momento em que a obstetra fez novo exame de toque e para nosso alívio Angela estava com 09cm de dilatação. Chegou a hora!!!
A doula foi buscar uma cadeira de rodas pois teríamos que passar a sala de parto. Porém imaginar qualquer coisa nesse período já estava quase impossível, mas a cadeira chegou e fomos toda a equipe com a Angela para a sala de parto, ela já sem posição na cadeira e quando se iniciava cada contração ela quase se deitava na cadeira.
Ao chegarmos na sala de parto foi apenas o tempo de passarmos da cadeira de rodas para a banqueta de parto as contrações se seguiam ritmadas e fortes até o momento em que a médica diz que está coroando e que Angela precisava fazer mais força, porém seu períneo é tão forte que nossa Catarina não passava. Até o momento em que a obstetra disse que precisaria fazer a episiotomia (foi nesse momento que me vi de mãos atadas, mas não queria isso de forma nenhuma, pois sabíamos o risco que isso poderia ter para o resto de sua vida) no entanto segundos depois em um momento iluminado, a dra pediu o vácuo (que alívio).
Após a colocação do vácuo, bastou mais 02 contrações para que nossa pequena Catarina fosse colocada em nossos braços (nossa bonequinha de leite como disse a Angela no momento em que viu a Catarina pela primeira vez) às 23:07 horas do dia 15/06/2016.
Junto com nossa Catarina, veio um sangramento considerável, onde teve-se que colocar a Angela na maca para estancar e aguardar o nascimento da placenta que demorou em cerca de mais umas 03 ou 04 contrações. Durante esse período Catarina ficou nos nossos braços, onde a pediatra avaliou e fez o teste do olhinho. Enquanto a pediatra avaliava a Catarina (padrão respiratório OK, pesando 3135grs, APGAR 9 e 10), a equipe tentava estancar o sangramento da Angela e eu fiquei ali atônito sem saber se acompanhava a pediatra com nossa Catarina ou se ficava ao lado da Angela.
Passados todos os processos para estancar o sangramento e preenchimento dos protocolos tanto da Angela quanto da Catarina, fomos para mais uma etapa que não seria nada fácil, como a Angela precisou ficar na UTI devido à Sulfatação a Catarina também ficou na UTI Neonatal aguardando a alta da Angela para que pudéssemos ir todos para o quarto. Nesse período eu quase surtei, pois tinha que dividir o tempo entre acompanhar duas nas UTIs (ajudando a Angela a se alimentar, pedindo auxílio aos enfermeiros, vendo a Catarina naquela incubadora, pegando-a no colo mesmo com os fios da monitorização, implorando para que o leite fosse ofertado à ela no copinho e não na mamadeira, tirando fotos para que a Angela pudesse ver como estava nossa Catarina), continuava informando nossa família e resolvendo todas as coisas para que tudo se resolvesse o mais rápido possível. Até que chegou a sexta-feira dia 17/06 e tivemos a boa notícia de que a Angela estava liberada para ir para o quarto às 10h da manhã, porém tivemos que esperar até às 20h para conseguirmos ir para o quarto (outra batalha pois de hora em hora eu ia até o setor administrativo para me informar e diziam que não tinha quarto disponível. Pensei em uma solução que poderia ser mais rápida, entrei em contato com a médica da Angela e informei a situação, ao passar em visita ela resolveu esse impasse e fomos para o quarto).
Ao chegarmos ao quarto, nos instalamos e fui até a UTI Neonatal para informar o quarto que estávamos para que a Catarina pudesse ser levada para ficar conosco, porém mais um contratempo. Foi colhido exame de sangue da nenê e seu nível de bilirrubina estava alterado, ou seja, seria necessário que ela ficasse na fototerapia (banho de luz), com isso não foi possível passarmos a primeira noite com ela no quarto, porém levei a Angela até a UTI Neonatal onde estava a Catarina para que tivessem o segundo encontro de mãe e filha tendo em vista que o primeiro aconteceu apenas na hora do parto 48h atrás, mais um momento de muita emoção para mim, pois vi as duas mulheres da minha vida juntas e todos passando bem depois do susto.
No dia seguinte, sábado às 08h da manhã fomos novamente encontrar Catarina e a Angela pode amamentar pela primeira vez, e mais emoção tomou conta de mim. Após a primeira mamada na UTI fomos informados que a nenê poderia fazer o banho de luz no quarto em que nós estávamos, assim poderíamos permanecer com todo minuto, realizando todos os cuidados que fosse necessário para ela.
E para nossa felicidade Catarina chegou ao nosso quarto por volta das 11h da manhã com um berço próprio para realizar o banho de luz, de onde só poderíamos tirá-la para amamentar e fazer a troca da fralda, mas só o fato de sabermos que ela estava ali, podermos olhar para ela a todo momento e estarmos responsáveis por tudo que ela precisasse era tudo que queríamos. E assim foi até o dia seguinte, domingo dia 19/06/2016 quando Catarina teve alta no horário do almoço aproximadamente e a Angela teve alta às 20h.
Saímos do hospital por volta das 20:30h aproximadamente e graças a Deus superamos todas as barreiras, conseguimos ser fortes em todos os momentos e agora estávamos indo para casa, nossa família tinha aumentado e após 06 dias de hospital saímos com a nossa pequena Catarina nos braços, um misto de alegria, alívio, apreensão com o novo, cansaço pela rotina do hospital e da própria situação pela qual passamos.
Tenho apenas que agradecer a toda equipe porque estiveram sempre fazendo o melhor dentro do que era viável para a intercorrência que se tornou presente, ouviram todas as nossas solicitações, conversaram sempre abertamente conosco sobre o que seria melhor e os riscos possíveis.
OBRIGADO ANGELA E CATARINA pela força e coragem que vocês duas tiveram, meu amor por vezes cresceu ainda mais de uma forma que impossível mensurar. Sou o homem, marido e pai MAIS FELIZ e ORGULHOSO do mundo!!!

Relato de Parto (VBAC) por Rafaela FAV – Parte 2

Postado por admin em 11/jun/2016 - Sem Comentários

Durante a gestação, conversamos muito e elas nos prepararam para o grande momento, obviamente que a teoria nem sempre é como a prática, mas o que nos fez permanecer tranquilos foi a certeza de que estávamos fazendo tudo da forma correta e segura para mim e para Maria.

Na gestação da Alice, eu não cheguei a sentir as famosas contrações e tinha receio de não identificá-las, mas elas definitivamente não passam desapercebidas! Enfim, 5 horas depois da bolsa ter rompido estávamos indo pro hospital. A essa altura do campeonato, o povo todo já tava querendo matar o Tonico porque ainda estávamos em casa, mas parceiro é parceiro e estávamos juntos nessa.

Apesar da dor, que é imensa, eu estava tranquila. Meu único medo quando chegamos ao hospital era a Maria cair no chão, escorregar de dentro de mim, enquanto eu andava até a sala de parto. Eu fui andando por opção, já que ficar sentada era bem pior pra mim. As duas horas seguintes foram intensas, doloridas e cheias de movimentos involuntários. A única coisa que eu fiz foi “obedecer” o meu corpo e a cada contração que vinha eu me via fazendo força de forma totalmente involuntária. A presença do Tonico e das nossas anjas foi essencial para que no curtíssimo, porém reconfortante, intervalo entre as contrações eu ficasse tranquila e retomasse as forças.

Muitas vezes, eu nem processava o que eles estavam falando, mas só de ouvir o som da voz deles eu já me tranquilizava. Em um determinado momento, eu achei que não fosse mais dar conta, mas as anjas e meu maridinho, nervoso, mas firme e forte, não me deixaram desistir e depois disso Maria chegou!

Chegou dentro da banheira e saiu de dentro da água aos berros, pulmãozinho forte! E ainda respeitando tudo o que havíamos conversado sobre o momento do parto, as anjas a colocaram em meu colo, esperaram o cordão umbilical parar de pulsar para depois cortá-lo, fomos juntas para cama, ela ficou comigo e com o Tonico por uma hora após o parto e só então a levaram para o berçário.

Acho que nunca conseguirei descrever tudo o que senti, não me refiro só as dores, mas a tudo. Ter tido a oportunidade de tentar – e conseguir – o parto natural, ser respeitada, ser ouvida e ser cuidada foi uma experiência surreal! No parto da Alice, fui cuidada, mas me privaram da oportunidade de tentar o parto normal sem ter um motivo real.

Anjas, gostaria novamente de agradecer pelo antes, durante e depois do parto! Marido, obrigada por confiar em mim, na minha – que depois se tornou nossa – escolha. Eu te amo infinitamente! Enfim, a intenção é compartilhar minha linda experiência, não estou aqui para levantar bandeira contra ou a favor de nenhum tipo de parto, mas se for da nossa vontade e for seguro para mãe e para o bebê, temos que nos permitir tentar e não cair naquela histórinha de que com cesárea anterior é muito arriscado o parto normal, entre tantas outras que ouvimos por aí!

Relato de parto (VBAC) por Rafaela FAV – Parte 1

Postado por admin em 11/jun/2016 - Sem Comentários

Emocionante relato de parto da corajosa Rafaela, contando detalhes da jornada do seu sonhado VBAC (parto vaginal após cesariana)… uma definitiva mudança de ciclo da vida no primeiro dia do ano 😉

Há 4 meses, passamos pela experiência mais intensa de nossas vidas: o parto da Maria Clara! Obviamente, que o parto da Alice também foi emocionalmente intenso, primeiro filho, a expectativa é absurda, estávamos cheios de medos, dúvidas, ela também adiantou, o povo aqui em casa não gosta de perder tempo, e chegou por meio de uma cesárea. Apesar de hoje eu ter consciência de que talvez a conduta pudesse ter sido outra, acho difícil alguém questionar e ir contra o médico num momento tão importante como esse e isso talvez seja o principal motivo pelo qual os médicos convencem facilmente as mães a optarem pela cesárea eletiva, mas isso não vem ao caso agora. Alice chegou toda linda, loira, quase careca, mas loira, roxinha, calma e a cara do pai.

No caso da Maria Clara, o parto foi intenso em todos os sentidos, tanto emocional quanto fisicamente. A nossa caçula escolheu um dia muito festivo para nascer, um dia tranquilo. Tava todo mundo viajando, avós, avôs e tios, só tia Lets e tio Dilano estavam por aqui. Deixou todo mundo descansar e se recuperar da bebedeira da noite anterior, o pai dela em especial (hahaha!). A bolsa rompeu logo cedo, acordei o marido, liguei para as nossas anjas, Dra. Desireé Encinas, a médica que me passou uma super segurança e tranquilidade, Beatriz Basile Kesselring – a enfermeira fantástica e tranquila e a Lucia Desideri Junqueira, a doula linda, tranquilíssima e muito parceira.

Ouvi todas as orientações e fomos tocar a vida, tomar banho, arrumar a casa, o restante das coisas, acordar a irmã mais velha e comunicar a família e alguns amigos. A primeira pergunta de todo mundo foi “vocês já estão indo pro hospital?” e quando ouviam a resposta: não, ficaremos aqui até as contrações ficarem mais intensas e com intervalos menores, ficavam indignados e bravos. Talvez eu também ficasse se estivesse no lugar deles, mas nós estávamos tranquilos com a escolha que fizemos, seguros e confiantes porque nossas anjas são experientes e muito competentes.

Relato de Parto – RFAV

Postado por admin em 11/jun/2016 - Sem Comentários

Emocionante relato de parto da Querida Rafaela… ela contando sobre a jornada que percorreu na realização do sonho do seu VBAC (parto vaginal após cesariana), marcando definitivamente um novo ciclo de vida, no primeiro dia do ano 😉

Há 4 meses, passamos pela experiência mais intensa de nossas vidas: o parto da Maria Clara! Obviamente, que o parto da Alice também foi emocionalmente intenso, primeiro filho, a expectativa é absurda, estávamos cheios de medos, dúvidas, ela também adiantou, o povo aqui em casa não gosta de perder tempo, e chegou por meio de uma cesárea. Apesar de hoje eu ter consciência de que talvez a conduta pudesse ter sido outra, acho difícil alguém questionar e ir contra o médico num momento tão importante como esse e isso talvez seja o principal motivo pelo qual os médicos convencem facilmente as mães a optarem pela cesárea eletiva, mas isso não vem ao caso agora. Alice chegou toda linda, loira, quase careca, mas loira, roxinha, calma e a cara do pai.

No caso da Maria Clara, o parto foi intenso em todos os sentidos, tanto emocional quanto fisicamente. A nossa caçula escolheu um dia muito festivo para nascer, um dia tranquilo. Tava todo mundo viajando, avós, avôs e tios, só tia Lets e tio Dilano estavam por aqui. Deixou todo mundo descansar e se recuperar da bebedeira da noite anterior, o pai dela em especial (hahaha!).

A bolsa rompeu logo cedo, acordei o marido, liguei para as nossas anjas, Dra. Desireé Encinas, a médica que me passou uma super segurança e tranquilidade, Beatriz Basile Kesselring – a enfermeira fantástica e tranquila e a Lucia Desideri Junqueira, a doula linda, tranquilíssima e muito parceira.

Ouvi todas as orientações e fomos tocar a vida, tomar banho, arrumar a casa, o restante das coisas, acordar a irmã mais velha e comunicar a família e alguns amigos. A primeira pergunta de todo mundo foi “vocês já estão indo pro hospital?” e quando ouviam a resposta: não, ficaremos aqui até as contrações ficarem mais intensas e com intervalos menores, ficavam indignados e bravos. Talvez eu também ficasse se estivesse no lugar deles, mas nós estávamos tranquilos com a escolha que fizemos, seguros e confiantes porque nossas anjas são experientes e muito competentes.

Durante a gestação, conversamos muito e elas nos prepararam para o grande momento, obviamente que a teoria nem sempre é como a prática, mas o que nos fez permanecer tranquilos foi a certeza de que estávamos fazendo tudo da forma correta e segura para mim e para Maria.

Na gestação da Alice, eu não cheguei a sentir as famosas contrações e tinha receio de não identificá-las, mas elas definitivamente não passam desapercebidas! Enfim, 5 horas depois da bolsa ter rompido estávamos indo pro hospital. A essa altura do campeonato, o povo todo já tava querendo matar o Tonico porque ainda estávamos em casa, mas parceiro é parceiro e estávamos juntos nessa.

Apesar da dor, que é imensa, eu estava tranquila. Meu único medo quando chegamos ao hospital era a Maria cair no chão, escorregar de dentro de mim, enquanto eu andava até a sala de parto. Eu fui andando por opção, já que ficar sentada era bem pior pra mim. As duas horas seguintes foram intensas, doloridas e cheias de movimentos involuntários. A única coisa que eu fiz foi “obedecer” o meu corpo e a cada contração que vinha eu me via fazendo força de forma totalmente involuntária. A presença do Tonico e das nossas anjas foi essencial para que no curtíssimo, porém reconfortante, intervalo entre as contrações eu ficasse tranquila e retomasse as forças.

Muitas vezes, eu nem processava o que eles estavam falando, mas só de ouvir o som da voz deles eu já me tranquilizava. Em um determinado momento, eu achei que não fosse mais dar conta, mas as anjas e meu maridinho, nervoso, mas firme e forte, não me deixaram desistir e depois disso Maria chegou!

Chegou dentro da banheira e saiu de dentro da água aos berros, pulmãozinho forte! E ainda respeitando tudo o que havíamos conversado sobre o momento do parto, as anjas a colocaram em meu colo, esperaram o cordão umbilical parar de pulsar para depois cortá-lo, fomos juntas para cama, ela ficou comigo e com o Tonico por uma hora após o parto e só então a levaram para o berçário.

Acho que nunca conseguirei descrever tudo o que senti, não me refiro só as dores, mas a tudo. Ter tido a oportunidade de tentar – e conseguir – o parto natural, ser respeitada, ser ouvida e ser cuidada foi uma experiência surreal! No parto da Alice, fui cuidada, mas me privaram da oportunidade de tentar o parto normal sem ter um motivo real.

Anjas, gostaria novamente de agradecer pelo antes, durante e depois do parto! Marido, obrigada por confiar em mim, na minha – que depois se tornou nossa – escolha. Eu te amo infinitamente! Enfim, a intenção é compartilhar minha linda experiência, não estou aqui para levantar bandeira contra ou a favor de nenhum tipo de parto, mas se for da nossa vontade e for seguro para mãe e para o bebê, temos que nos permitir tentar e não cair naquela histórinha de que com cesárea anterior é muito arriscado o parto normal, entre tantas outras que ouvimos por aí!

Relato de Parto RV

Postado por admin em 01/fev/2016 - Sem Comentários

Relato de Parto de uma mãe guerreira, uma família unida, um sonho que se tornou realidade =)

Amanhã faz 1 mês que passamos pela experiência mais intensa de nossas vidas… o parto da Maria Clara!
Obviamente que o parto da Alice também foi emocionalmente intenso, primeiro filho, a expectativa é absurda, estávamos cheios de medos, dúvidas… A Alice também adiantou, o povo aqui em casa não gosta de perder tempo, e chegou por meio de uma cesárea (apesar de hoje eu ter consciência que talvez a conduta pudesse ter sido outra, acho difícil alguém questionar e ir contra o médico num momento tão importante como esse e isso talvez seja o principal motivo pelo qual os médicos convencem facilmente as mães a optarem pela cesárea eletiva… mas isso não vem ao caso agora). Alice chegou toda linda, loira (quase careca, mas loira), roxinha, calma e a cara do pai…
No caso da Maria Clara, o parto foi intenso em todos os sentidos, tanto emocional quanto fisicamente. A nossa caçula escolheu um dia muito festivo para nascer, um dia tranquilo (tava todo mundo viajando, avós, avôs e tios… só tia Lets e tio Dilano estavam por aqui) e também deixou todo mundo descansar e se recuperar da bebedeira da noite anterior (o pai dela em especial! Hahah). A bolsa rompeu logo cedo, acordei o marido, liguei para as nossas anjas (Desireé Encinas, a médica; Beatriz Basile Kesselring, a enfermeira; Lucia Desideri Junqueira, a doula), ouvi todas as orientações e fomos tocar a vida (tomar banho, arrumar a casa, o restante das coisas, acordar a irmã mais velha…) e comunicar a família e alguns amigos. A primeira pergunta de todo mundo foi “vcs já estão indo pro hospital?” e quando ouviam a resposta (não, ficaremos aqui até as contrações ficarem mais intensas e com intervalos menores) ficavam indignados e bravos até… Talvez eu também ficasse se estivesse no lugar deles, mas nós estávamos tranquilos com a escolha que fizemos, seguros e confiantes porque nossas anjas são experientes e muito competentes… Durante a gestação conversamos muito e elas nos prepararam para o grande momento, obviamente que a teoria nem sempre é como a prática, mas o que nos fez permanecer tranquilos foi a certeza de que estávamos fazendo tudo da forma correta e segura para mim e para Maria.
Na gestação da Alice eu não cheguei a sentir as famosas contrações e tinha receio de não identifica-las, mas elas definitivamente não passam desapercebidas!!! Hahahah Enfim, 5 horas depois da bolsa ter rompido estávamos indo pro hospital… a essa altura do campeonato o povo todo já tava querendo matar o Tonico pq ainda estávamos em casa, mas parceiro é parceiro e estávamos juntos nessa heheh… Apesar da dor, que é imensa, eu estava tranquila meu único medo quando chegamos ao hospital era a Maria cair no chão (escorregar de dentro de mim) enquanto eu andava até a sala de parto (eu fui andando por opção, já que ficar sentada era bem pior pra mim). As 2 horas seguintes foram intensas, doloridas e cheias de movimentos involuntários… a única coisa que eu fiz foi “obedecer” o meu corpo e a cada contração que vinha eu me via fazendo força de forma totalmente involuntária… a presença do Tonico e das nossas anjas foi essencial para que no curtíssimo, porém reconfortante, intervalo entre as contrações eu ficasse tranquila e retomasse as forças… muitas vezes eu nem processava o que eles estavam falando, mas só de ouvir o som da voz deles eu já me tranquilizava. Em um determinado momento eu achei que não fosse dar conta mais, mas as anjas e meu maridinho (nervoso, mas firme e forte) não me deixaram desistir e depois disso Maria chegou!!!
Rafaela&Tonico&MClaraChegou dentro da banheira e saiu de dentro da água aos berros, pulmaozinho forte!! E ainda respeitando tudo o que havíamos conversado sobre o momento do parto, as anjas a colocaram no meu colo, esperaram o cordão umbilical parar de pulsar para depois corta-lo, fomos juntas para cama, ela ficou comigo e com o Tonico por uma hora após o parto e só então a levaram para o berçário. Acho que nunca conseguirei descrever tudo o que senti, não me refiro só as dores, me refiro a tudo… Ter tido a oportunidade de tentar (e conseguir) o parto natural, ser respeitada, ser ouvida e ser cuidada foi uma experiência surreal!
No parto da Alice, fui cuidada, mas me privaram da oportunidade de tentar o parto normal sem ter um motivo real… Anjas, gostaria novamente de agradecer pelo antes, durante e depois do parto!! Marido, obrigada por confiar em mim, na minha (que depois se tornou nosso) escolha. Eu te amo infinitamente!
Enfim, a intenção é compartilhar minha linda experiência, não estou aqui para levantar bandeira contra ou a favor de nenhum tipo de parto, mas se for da nossa vontade e for seguro para mãe e pro bebe, temos que nos permitir tentar e não cair naquela historinha de que com cesárea anterior é muito arriscado o parto normal… entre outras né…

Relato de Parto da Milena

Postado por admin em 07/abr/2015 - Sem Comentários

Um relato de parto emocionante de uma das minhas alunas do curso de HypnoBirthing…

O último sábado foi dia de preparar uma festa especial, sem ao certo saber a data e hora exata de acontecer.
Aurora passeando com a vovó e a titia Simone nos ajudou a focar e aproveitar o tempo com liberdade.
Pela manhã saímos para comprar velas, frutas e flores. Almoçamos com amigos mais que queridos. Curtimos a tarde preguiçosa de cumplicidade e companheirismo enquanto cuidávamos dos últimos preparativos e arrumações.
Em algumas horas, Fabio transformou nosso quarto, que ainda tinha caixas empilhadas da mudança, em uma casa de parto padrão Holanda. Rebozo, bola, iluminação indireta, música ambiente, espaço para banheira – check!.
O clima era de cuidado, confiança e amor. Perfume de angélicas no ar.
Às 23h nossa querida doula Lúcia chegou. Ingenuamente sugeri para ela vir sem pressa e trazer um livro pois estamos sem TV em casa. Ondas intensas que anunciavam a chegada do nosso bebê vieram com a chegada dela.
Lembro de pensar em mandar um convite de última hora pra Carla , já que a pane na câmera e no celular nos sabotou o registro caseiro. Não consegui. Estava imersa num mundo interno de entrega.
Às 24h chegou nossa obstetriz Ana Cristina carregando uma mala de sabedoria, experiência, competência e amor, além de mil aparatos que lhe cabem a certeza de trabalhar com seriedade e responsabilidade. Alguns minutos depois sua assistente Letícia . Me senti amparada e cuidada. Podia relaxar e confiar na natureza, na competência e dedicação de cada um em seu papel.
Contato, carinho, respirações profundas, gravidade, água quente, limpeza do corpo, palavras de incentivo. No chuveiro uma onda desconcertante e diferente. Num imprevisto a água do chuveiro ficou gelada. Me entrego a um abraço verdadeiro de amparo e empatia da doula. Processo avançado, natureza agindo. Já na falta de uma posição confortável, um chamado para a banheira.
Imersão na água bem quente. Relaxamento, dor e desconforto dividem o mesmo não tempo e não espaço. A ansiedade atrapalhou o compasso da respiração. Sou lembrada de que tudo está bem e está perto de dar à luz. Mãos me amparam por todos os lados. Está perto da chegada do nosso filho. Emoção, intensidade, dor, peso, abertura, pressão, alegria, felicidade, alívio, tudo misturado no último puxo que traz nosso filho à esse mundo.
Eram 2h12 já do começo do domingo, 6 de julho.
Sai da água para o meu colo e braços do pai. Chorinho leve de saudações. Olhinhos abertos para espiar quem o aguardava por aqui.
Ficamos nos recuperando um tempinho na banheira. Corpo tremia num misto desperto e dormente.
Para nossa cama já secos para a saída da placenta. Bebe sempre no colo. Ligados pelo cordão. Placenta sai linda, íntegra, num só puxo. Uma árvore simétrica, raíz da vida.
Todas saem do quarto para ajeitar o material e recolher a baguncinha. Ana Cris avisa que tem café fresco. Letícia recolhe os panos, toalhas e lençóis e coloca na máquina para lavar.
Ficamos Fábio, Dante e eu nos reconhecendo, contemplando e flertando. Hora de mamar. Já não me lembro mais como manusear e amamentar um recém nascido. Ana Cris me ajuda.
O cordão ainda pulsava 40 minutos depois do nascimento. Fábio esperou o último movimento para cortá-lo.
Corpo dolorido e aliviado. Sede, muita sede. Felicidade e plenitude à flor da pele e das víceras. Enfim, todos bem e do lado de cá e o melhor, na nossa casa.
Amor e gratidão com cheirinho de estrela mesclado ao perfume das angélicas no vaso.
Hora de brindar sua chegada.
Bem-vindo, filho! Já te amamos muito.

Relato de parto escrito por Milena, mãe de uma menina linda

de 5 anos e um recém-nascido de 2 dias (quando escreveu o relato).

Participou da turma de Preparação para o Parto HypnoBirthing em Março

e teve seu lindo, rápido e tranquilo parto natural domiciliar em Julho de 2014

🙂